“Llévate Mis Amores”

Nesse 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, nós do CSEM gostaríamos de compartilhar a história de mulheres que, com toda sua força e amor ao próximo, trabalham de maneira voluntária, nadando contra a corrente de discriminação aos migrantes que assola o mundo. Promovendo uma ação humanitária marcada pelo cuidado ao ser humano, onde não se é indiferente à dor e trajetória de cada pessoa que migra.

Há mais de vinte anos, um grupo de mulheres da comunidade La Patrona, localizada na cidade mexicana de Guadalupe em Veracruz, distribui alimentos para migrantes abordo do trem La Bestia, que cruza o México em direção às cidades que fazem fronteira com os EUA. Essas mulheres, denominadas como Las Patronas em referência à sua comunidade, receberam o Prêmio Nacional dos Direitos Humanos em 2013, por serem exemplo de mobilização e conscientização, sendo solidárias com as pessoas em situação de mobilidade, mesmo quando suas ações colocavam as próprias vidas em risco, por ajudarem pessoas que, por alguns, são dadas como criminosas.  

Os (as) migrantes que utilizam o La Bestia provêm, majoritariamente, de outros países da América Central, correndo risco de morte em suas jornadas em direção a cidades como Tijuana, MexicaliJuárez e Matamoros (fronteiriças aos EUA). Muitas dessas pessoas não concluem o trajeto, chegam a ser mutiladas ao saltar do trem em movimento para fugir da fiscalização ou de criminosos, viajam a céu aberto, expostos ao sol forte, são extorquidas por aqueles que cobram as “passagens” e, muitas vezes, acabam sendo sequestradas, situação que pode culminar no tráfico de órgãos. 

Diante dessa situação, Las Patronas chegaram a preparar e entregar mais de mil refeições em um dia. Arroz, feijão, pão e água são entregues em sacos para que quem estivesse no trem pudesse pegar mesmo com o veículo em movimento, além de acolher e auxiliar quem pudesse estar ferido pelas intempéries da viagem. 

O CSEM reforça a importância da valorização do protagonismo da mulher na sociedade como um todo. Todos os dias as mulheres têm de lutar por sua posição, intervindo para a construção de um espaço que seja igualitário, contribuindo para um mundo melhor, onde todos(as) sejam ouvidos(as) e tratados(as) como seres humanos, de maneira digna. A atuação das Patronas representa o poder feminino como organização a fim de ajudar quem percorre caminhos sonhadores e com diversas barreiras. O exemplo de humanidade serve para homens e mulheres de todo o mundo, principalmente em tempos de criminalização da ajuda humanitária nos contextos de migração. 

Texto por: Luana G. Silveira
Equipe de Comunicação do CSEM