Pesquisa apresentada na LASA analisa a produção da deportabilidade de haitianos e dominico-haitianos na República Dominicana

Durante o Congresso da Latin American Studies Association (LASA), realizado em Paris, pesquisadores vinculados ao Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM), Delia Dutra e Igor Borges Cunha, apresentaram o artigo “El régimen de deportabilidad en la República Dominicana”, resultado de pesquisa de campo desenvolvida junto às comunidades haitianas e dominico-haitianas no país.

A LASA é a maior rede internacional de pesquisadores dedicados aos estudos sobre a América Latina e o Caribe. Em 2026, a associação celebrou seus 60 anos durante o congresso realizado em Paris, que reuniu mais de 6 mil participantes de diferentes países. O encontro teve como eixos centrais os debates sobre a história social latino-americana, os impactos do neoliberalismo e os desafios contemporâneos das democracias nas Américas. Nesse contexto, as discussões sobre mobilidade humana, fronteiras e direitos das populações migrantes ocuparam lugar de destaque na programação acadêmica.

A pesquisa nasceu a partir da presença concreta das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas na República Dominicana. Como ocorre em diversas iniciativas do CSEM, o estudo foi construído a partir das atividades realizadas pelas irmãs junto às populações migrantes, evidenciando a estreita relação entre ação pastoral, escuta das comunidades e produção de conhecimento comprometido com a dignidade humana.

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Delia Dutra e Igor Borges Cunha apresentam resultados da pesquisa do CSEM sobre os efeitos do conceito de deportabilidade na vida cotidiana de pessoas haitianas e dominico-haitianas na República Dominicana

O trabalho de campo foi realizado em diferentes regiões do país, incluindo Santo Domingo, Dajabón, Pedernales e San Pedro de Macorís. A presença das irmãs no país foi fundamental para a execução do trabalho de campo que visava compreender as experiências cotidianas das pessoas haitianas e dominico-haitianas, especialmente em contextos marcados pelo medo das deportações e pelas dificuldades de acesso a direitos básicos.

Entre os locais visitados estavam os bateyes, comunidades historicamente formadas por trabalhadores haitianos empregados nos engenhos de cana-de-açúcar. Nessas localidades, a pesquisa identificou situações em que o acompanhamento das promotoras comunitárias ligadas às irmãs e outras organizações não-governamentais se torna essencial para que famílias consigam acessar serviços de saúde, orientação documental e outras formas de apoio.

Os relatos recolhidos durante o campo revelaram como muitas pessoas organizam sua vida cotidiana sob o temor constante de abordagens migratórias e deportações. Ao mesmo tempo, evidenciaram a importância das redes comunitárias, das relações de confiança e do acompanhamento pastoral oferecido pelas irmãs, que frequentemente se tornam uma das poucas presenças institucionais capazes de garantir acolhida, orientação para proteção legal.

A pesquisa também destacou que as experiências vividas pelas comunidades estão profundamente marcadas por processos históricos, por disputas em torno da nacionalidade e por tensões que afetam especialmente as populações de origem haitiana.

Nesse contexto, o carisma scalabriniano revela toda a sua atualidade. A proximidade com os migrantes, a defesa de sua dignidade e a construção de espaços de acolhida permitem não apenas responder às necessidades imediatas das pessoas em mobilidade, mas também tornar visíveis realidades que frequentemente permanecem esquecidas.

Ao levar essas experiências para o mais importante congresso de estudos latino-americanos, a pesquisa reafirma a contribuição das Irmãs Scalabrinianas na promoção dos direitos das pessoas migrantes e na produção de conhecimento comprometido com a justiça social, a acolhida e a cultura do encontro.

Acompanhe as redes sociais do CSEM para saber mais da pesquisa intitulada “Entre interseccionalidades e a deportabilidade: o protagonismo de migrantes haitianos/as e pessoas dominico-haitianas na República Dominicana” que terá seu relatório e artigos publicados brevemente. 

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