Mulheres em mobilidade: o trabalho das Irmãs Scalabrinianas no projeto Chaire Gynai em destaque.

A atenção às mulheres migrantes e refugiadas é uma prioridade da Congregação das Irmãs Missionárias Scalabrinianas. O cuidado sóciopastoral voltado para esses grupos é desenvolvido por meio de diversos projetos que buscam compreender as características próprias da migração feminina, bem como as dinâmicas entre mulheres e pessoas migrantes em suas famílias.
A partir desse olhar diferenciado, o trabalho das Irmãs consegue ser um espaço em que as mulheres migrantes têm voz e podem tomar decisões por si próprias. Como no caso do projeto Chaire Gynai em Roma/Itália que acolhe mulheres migrantes, refugiadas e vítimas de tráfico de pessoas durante um período até que elas possam continuar sua jornada mais fortalecidas.


O CSEM entrevistou Raffaella Bencivenga, psicóloga que atuou no projeto.

CSEM: O CSEM tem como núcleo duro o protagonismo das e dos migrantes. Isso engloba considerar migrantes enquanto sujeitos da sua própria história, que têm agência para fazer escolhas com autonomia e apresentam resiliência ao vivenciar a mobilidade. Assim, poderia nos contar, a partir das suas experiências, sobre como a acolhida na Chaire Gynai possibilita que mulheres migrantes, refugiadas e vítimas de tráfico de pessoas exerçam seu protagonismo?

Rafaella: O acolhimento Chaire Gynai foi concebido como um espaço onde as mulheres podem reconhecer-se como sujeitos ativos do seu próprio percurso. Através de atividades de escuta, partilha e acompanhamento, as mulheres são simbolicamente convidadas a «olhar-se no espelho»: a reconhecer os seus limites, mas sobretudo os seus recursos. Este processo favorece um trabalho de empoderamento, que lhes permite recuperar a sua voz, as suas capacidades e a possibilidade de tomar decisões sobre o seu futuro. Desta forma, o acolhimento não é apenas proteção, mas torna-se também um instrumento para promover a autonomia, a consciência e o protagonismo.

CSEM: Qual é a importância do trabalho terapêutico/psicológico com mulheres migrantes e refugiadas?

Rafaella: O trabalho terapêutico e psicológico é fundamental para a saúde mental das mulheres migrantes e refugiadas. Muitas vezes, essas mulheres carregam consigo traumas relacionados à jornada migratória, a situações de violência ou exploração. Por esse motivo, o projeto sempre procurou ativar e valorizar os recursos presentes no território, encaminhando e acompanhando as mulheres para percursos terapêuticos realizados em estruturas e serviços externos especializados. Esse tipo de apoio permite que elas processem as experiências traumáticas e recuperem um maior equilíbrio interior, ajudando-as a desenvolver uma posição mais segura e autoritária para se movimentarem no mundo e construírem o seu próprio futuro.

CSEM: O que se pode aprender com as mulheres migrantes e refugiadas em um trabalho como o desenvolvido pelas Irmãs Scalabrinianas em Chaire Gynai, e que pode levar consigo para o resto da vida?

Raffaella: O trabalho com as mulheres na Chaire Gynai ensina, acima de tudo, o valor do encontro autêntico. É uma experiência que coloca em relação pessoas provenientes de culturas, pensamentos e religiões diferentes, permitindo viver concretamente a essência do «cidadão do mundo». Através de momentos comunitários e encontros interculturais, constroem-se relações baseadas na escuta e no respeito mútuo, promovendo uma maior compreensão do outro e contribuindo para prevenir qualquer forma de discriminação. É um ensinamento que permanece ao longo do tempo e que acompanha a vida pessoal e profissional de quem o vive.

Esperamos que projetos como o Chaire Gynai sigam inspirando e incentivando o protagonismo de mulheres migrantes e refugiadas em todo o mundo.

Pular para o conteúdo