13 de novembro de 2018

Acordo entre os dois países prevê início da repatriação nesta semana, mas ONU diz que as condições ainda não são seguras para minoria perseguida.

COX’S BAZAR, BANGLADESH — Dezenas de famílias da etnia muçulmana rohingya que estão em uma lista de pessoas que devem ser repatriadas para Mianmar a partir desta quinta-feira, dia 15, fugiram dos campos de refugiados em Bangladesh onde vivem, afirmou um líder rohingya na segunda-feira.

— A maioria das pessoas na lista fugiu para evitar ser repatriada — disse Abdus Salam, um líder rohingya no acampamento de Jamtoli, a cerca de 40 quilômetros a sudeste de Cox’s Bazar, na fronteira entre Mianmar e Bangladesh.

Segundo ele, a maioria fugiu para outros campos vizinhos para evitar ser detectado e forçado a retornar ao seu país natal contra sua vontade.

Mais de 700 mil rohingyas fugiram para Bangladesh a partir do final de agosto de 2017, quando os militares e grupos militares de Mianmar lançaram uma campanha de repressão contra a etnia. Uma pesquisa conduzida nos campos de refugiados pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras calculou que pelo menos 6.700 rohingyas foram mortos apenas no primeiro mês da ofensiva contra o grupo, enquanto sobreviventes relataram estupros, tortura e queima de aldeias, no que a ONU já classificou como “limpeza étnica” e possível genocídio.

Mianmar nega quase todas as acusações, alegando que os militares estavam combatendo integrantes do Exército de Salvação Arakan Rohingya, que o governo país classifica como terrorista.

Apesar de Mianmar manter o estado de Rakhine, onde vive a maior parte dos integrantes da minoria, fechado à imprensa e a investigadores internacionais, o governo de Bangladesh firmou um acordo com o país no final de outubro, pelo qual concordou em repatriar centenas de milhares de refugiados.

Fonte: oglobo