3 de novembro de 2017

idi braCentenas de refugiados do Centro de Maratane, na província nortenha de Nampula, manifestaram-se contra a falta de sabão e óleo, que não são distribuídos há sete meses. Governo reconhece o problema e apela ao diálogo.

Centenas de refugiados do Centro de Maratane, na província nortenha de Nampula, manifestaram-se contra a falta de sabão e óleo, que não são distribuídos há sete meses. Governo reconhece o problema e apela ao diálogo.

Cada família tem direito a receber, por mês, nove quilos de milho e feijão, meio litro de óleo alimentar e uma barra de sabão. Mas estes dois últimos produtos já não são distribuídos há sete meses, queixam-se os refugiados do Centro de Maratane.

A situação gerou revolta e levou centenas de refugiados, na sua maioria mulheres, a protestar, esta quarta-feira (01.11), em frente ao edifício da administração do centro para exigir esclarecimentos das autoridades governamentais e também dos representantes do Programa Alimentar Mundial (PAM) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

“Só recebemos milho e feijão boer, que na nossa terra nunca comemos”, conta Bahaate Antuany. A presidente da Associação da Mulher Refugiada de Maratane sublinha ainda que as crianças estão a contrair muitas doenças.

Segundo a responsável, as organizações internacionais que apoiam o centro já disseram que não dispõem de verbas para adquirir os produtos mais exigidos pelos refugiados. “O PAM e o ACNUR falaram que não têm dinheiro.

Mas é possível comer seis meses sem óleo? Ficar sem lavar roupa?”, pergunta Bahaate Antuany.
Os refugiados já informaram que se recusam a receber donativos enquanto não chegar óleo e sabão. “O ACNUR disponibiliza fundos de um ano, de janeiro a dezembro, e esse dinheiro onde foi [aplicado]? “, questiona Bahaate Antuany.

Fatuma Rixaza, refugiada no Centro de Maratane, queixa-se de outro problema. “Há crianças nas escolas e já há cinco meses que não recebem pensos”, lamenta.
“Sem diálogo não há consenso”

O Governo moçambicano, através do administrador do Centro de Refugiados de Maratane, António Luís Gonzaga, reconhece o problema e apela ao diálogo. “Vamos chamar novamente o chefe do escritório do ACNUR, com o chefe do PAM vamos ter uma conversa pacífica e vamos entender-nos. Sem diálogo não há nenhum consenso”, lembra.
Os protestos dos refugiados foram pacíficos e sem espaço para tumultos, mas a polícia esteve presente e foi solicitado um reforço para garantir a ordem e evitar possíveis focos de violência.

Localizado a 25 quilómetros da cidade nortenha de Nampula, o Centro de Refugiados de Maratane é o primeiro e o maior centro de refugiados de Moçambique e acolhe cidadãos estrangeiros que fugiram de países em conflito.
Aqui vivem mais de 12 mil requerentes de asilo e refugiados, oriundos sobretudo da região dos Grandes Lagos, nomeadamente Republica Democrática de Congo (RDC), Burundi, Ruanda, Somália e Etiópia.

 

Fonte:www.dw.com