25 de janeiro de 2019

Autoridades europeias estão “lutando” para atender às necessidades de saúde de refugiados e migrantes irregulares, que são equivocadamente acusados de espalhar doenças nas comunidades que os recebem, afirmou na segunda-feira (21) a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em seu primeiro relatório sobre as condições de saúde dessas populações na Europa, a agência da ONU desmonta o mito de que estrangeiros estão levando infecções para o continente.

Autoridades europeias estão “lutando” para atender às necessidades de saúde de refugiados e migrantes irregulares, que são equivocadamente acusados de espalhar doenças nas comunidades que os recebem, afirmou na segunda-feira (21) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em seu primeiro relatório sobre as condições de saúde dessas populações na Europa, a agência da ONU desmonta o mito de que estrangeiros estão levando infecções para o continente.

“Os refugiados e migrantes que vêm à Europa não trazem quaisquer doenças exóticas com eles – quaisquer doenças exóticas transmissíveis”, disse Zsuzsanna Jakab, diretora regional da OMS para a Europa.

“As doenças que eles podem ter são doenças já estabelecidas na Europa e nós temos bons programas de controle e prevenção para estas doenças”, acrescentou a especialista. “Isto se aplica à tuberculose, mas também ao HIV/AIDS.”

Entre outros mitos expostos como falsos pelo relatório, está a crença de que mais pessoas vulneráveis chegavam à Europa do que realmente acontece. De acordo com a dirigente da OMS no continente, em alguns países europeus, os cidadãos estimam que haja três ou quatro vezes mais migrantes do que mostram os números verdadeiros.

“Migrantes internacionais representam cerca de 10% da população da região europeia, isto é cerca de 90 milhões (de indivíduos)”, ressaltou Zsuzsanna. “Destes, menos de 7,4% são refugiados.”

Com base numa revisão de mais de 13 mil documentos sobre a saúde de refugiados e migrantes, o relatório da OMS oferece um panorama da situação na Europa em um momento de crescente migração global. A pesquisa mostra que esses grupos de pessoas têm mais risco de desenvolver problemas de saúde do que as populações anfitriãs.

Citando dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), que indicam que mais de 50 mil refugiados e migrantes morreram na área do Mediterrâneo desde 2000, a pesquisa destaca como mulheres, homens jovens, adolescentes e menores desacompanhados são frequentemente “vítimas de recrutamento enganoso e escravidão moderna”. Isto tem um impacto mental e físico grave sobre as vítimas, alerta o relatório, acrescentando que crimes desse tipo geram “repercussões de saúde” também entre os familiares e comunidades.

Indicadores de saúde

Embora populações deslocadas tenham menor risco de todas as formas de câncer, exceto o câncer de colo do útero, a doença é mais provável de ser diagnosticada em estágio avançado entre refugiados e migrantes, segundo o relatório. Isso aumenta as probabilidades de que essas populações tenham resultados “consideravelmente piores de saúde” do que os europeus que os acolhem.

A diabetes também afeta mais refugiados e migrantes do que as comunidades anfitriãs, de acordo com a OMS, com maior incidência, prevalência e taxa de mortalidade, especialmente entre as mulheres.

Outras doenças, como depressão e ansiedade, também tendem a afetar refugiados e migrantes mais do que os europeus. O fenômeno é observado especialmente entre menores desacompanhados, que apresentam ainda taxas mais altas de transtorno de estresse pós-traumático.

Refugiados e migrantes têm maior risco de desenvolver doenças infecciosas por conta da falta de acesso a serviços de saúde, assistência interrompida ou condições de vida ruins enquanto estão em movimento, afirma a agência da ONU.

“Não acho que, na maioria dos países, os migrantes ilegais têm acesso aos serviços do sistema de saúde”, disse Jakab. “Então esta é uma área que nós temos que fazer um trabalho adicional significativo porque a melhor maneira de proteger a sua própria população e os refugiados é dar acesso a eles.”

A região europeia da OMS cobre 53 países e uma população somada de quase 920 milhões de pessoas. A proporção de migrantes internacionais varia de mais de 50% em Andorra e Mônaco, para menos de 2% na Albânia, Bósnia e Herzegovina, Polônia e Romênia.

Oferecer sistemas de saúde com base em direitos e que respondem às necessidades de refugiados e migrantes é uma das metas da Agenda 2030 da ONU e os seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Dos 40 Estados europeus que responderam uma pesquisa da OMS sobre progressos em direção a sistemas de saúde que levem em conta as necessidades de refugiados e migrantes, metade afirmou ter feito ao menos uma avaliação das necessidades desses estrangeiros.

“Os migrantes ilegais não são ‘visíveis’ às autoridades, por assim dizer”, acrescentou Jakab. “Eles estão no país, mas formalmente e oficialmente, os países não estão cientes de que eles estão presentes no país.”

Estima-se que existam globalmente 258 milhões de migrantes, de acordo com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA).

Fonte: nacoesunidas