10 de maio de 2019

A questão da migração e do refúgio foi tema durante a Assembleia da CNBB

 

Na quarta-feira, 8, o meeting point durante a 57ª Assembleia da CNBB, em Aparecida foi sobre o tema “Migrantes e refugiados: realidades, desafios e ações da Igreja no Brasil” com Dom José Luiz Salles, bispo de Pesqueira (PE), bispo referencial do Setor da Mobilidade Humana da CNBB e da Pastoral do Povo de Rua.

“Essa é uma realidade que me emociona muito e eu tenho dito que eu vou aprendendo a ser cada vez mais bispo a partir dessas situações, dessa realidade que tenho vivido”, disse Dom José Luiz Ferreira, ao falar sobre a questão que envolve o acolhimento de imigrantes e refugiados no Brasil.

Durante o evento, foi destacado o projeto da Cáritas Brasileira ‘Caminhos de Solidariedade’ de acolhimento a imigrantes e refugiados. A diocese e Pesqueira foi uma das dez do país a se candidatar para receber os venezuelanos vindos de Roraima e acolhe, desde fevereiro, duas famílias.

“Nós estamos com duas famílias. São cinco pessoas que estão vivendo no interior de Pernambuco. Tem sido um trabalho muito bonito de preparação das pessoas, de organização da casa, tivemos que envolver até o Poder Público nessa missão. A grande dificuldade agora é conseguir emprego, para que possam manter suas famílias. O nosso sonho é acolher mais pessoas na nossa diocese, mas dentro da nossa pobreza, da questão da seca, a gente tem que ir devagarinho para acolher bem”, disse o Bispo.

TENDÊNCIAS GLOBAIS

Em 3 de julho de 2017, o jornal O SÃO PAULO publicou uma reportagem sobre o relatório “Tendências Globais”, o maior levantamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em relação ao ano de 2016. São 22,5 milhões de refugiados, somente entre aqueles que saíram devido aos conflitos na Síria. Ao todo, existem 12 milhões de refugiados sírios espalhados pelo mundo ou que se deslocaram dentro do próprio País.

A situação de refúgio não é a única quando se trata de deslocamento humano. Muitas pessoas deixam seus locais de origem em busca de oportunidades ou simplesmente por vislumbrarem uma vida melhor em outro estado ou país.

O que leva uma pessoa a deixar sua cidade ou o país em que nasceu e procurar um novo lugar para recomeçar a vida? E o que dá a alguém o direito de permanecer em algum lugar? As perguntas, embora genéricas e superficiais, fazem pensar sobre uma questão que afeta pessoas em todo o mundo: a migração.

Guerras, catástrofes naturais, crises políticas, perseguição religiosa. Muitas pessoas são obrigadas a deixar suas casas, no entanto, outras escolhem sair, em busca de uma especialização ou mesmo de uma oportunidade de trabalho. O fato é que nunca como hoje o mundo viu crescer o número de pessoas que chegam, desejam ou precisam permanecer em regiões que, em princípio, parecem não ter lugar para elas.

SOLIDARIEDADE QUE MUDA VIDAS

Em 2019 foi publicada também uma reportagem sobre a acolhida de refugiados venezuelanos na Região Episcopal Brasilândia, da Arquidiocese de São Paulo. Os imigrantes acolhidos fazem parte do “Plano Nacional de Integração Caminhos de Solidariedade: Brasil & Venezuela”, promovido pela Caritas Diocesana de Roraima, com a Cáritas Brasileira, o Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH), o Serviço Pastoral do Migrante, o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR), com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), para agilizar o processo de interiorização, integração e acolhida dos migrantes em pelo menos 90 dioceses do Brasil, dentre elas a Arquidiocese de São Paulo.

O São Paulo