26 de outubro de 2018

O ACNUR está fornecendo abrigo, comida e outras formas de assistência aos refugiados e migrantes hondurenhos na Guatemala e no sul do México.

TAPACHULA, México – Quando membros de uma gangue queimaram a casa de sua família em Honduras, Eduardo , de 16 anos, sentiu que não tinha outra escolha a não ser fugir para salvar sua vida.

“Quando vi nossa casa em chamas, sabia que havia chegado o momento e que nossa sorte havia acabado. Era momento de fugir”, disse ele.

Depois de viver no constante medo de ser morto ou recrutado por gangues na cidade de Colón, ele e um grupo de primos se juntaram à “caravana” de milhares de crianças, mulheres e homens que caminham a pé e pedem carona na América Central em busca de segurança.

Ao cruzar para o país vizinho, a Guatemala, Eduardo e seus primos estavam à frente da caravana de refugiados e migrantes, enquanto tentavam atravessar a ponte sobre o rio Suchiate para chegar ao México. Foi neste momento que as autoridades fecharam a fronteira e os confrontos começaram.

“Me senti desamparado, indesejado por qualquer país. Pensei que eles (as autoridades mexicanas) iriam nos enviar de volta e que meu pesadelo realmente iria começar”.

Eduardo estava entre o grupo de pessoas que foram permitidas entrar no México, país onde apresentou seu pedido de refúgio.

O ACNUR tem mobilizado funcionários e recursos para o sul do México, após a chegada da caravana oriunda de Honduras à fronteira. Desde segunda-feira (22/10) mais de 45 funcionários do ACNUR estão em Tapachula, na capital do estado de Chiapas, e outros estão a caminho.

A fim de apoiar as autoridades mexicanas, nossas equipes estão fornecendo funcionários e ajuda técnica para garantir o direito de registro a solicitantes de refúgio, como Eduardo. Da mesma forma, estão estabelecendo mecanismos de identificação, encaminhando pessoas com vulnerabilidades específicas e aumentando a capacidade de assistência e de abrigo como um todo.

“As principais preocupações do ACNUR neste momento são as questões humanitárias no decorrer dos acontecimentos e os riscos, já conhecidos, de sequestro e segurança nas direções em que a caravana pode ir”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, à imprensa em Genebra.

“Estabilizar a situação se tornou urgente. É essencial que a recepção seja garantida e que haja condições adequadas para receber aqueles que buscam refúgio outras pessoas em situação de deslocamento”, acrescentou.

A “caravana”, estimada em 7 mil pessoas ou mais, já é o segundo fluxo organizado realizado na região neste ano. O primeiro foi em abril, também no México. Na Guatemala, o ACNUR está monitorando a fronteira de Tecun Uman. As equipes estão avaliando as necessidades mais urgentes e, junto aos parceiros parceiros, fornecendo assistência humanitária aos mais vulneráveis.

“É urgente estabilizar a situação”.

O ACNUR também está identificando aqueles que são particularmente vulneráveis, aconselhando-os sobre suas melhores opções. Isso fez com que algumas crianças desacompanhadas e separadas decidissem solicitar refúgio na Guatemala. A Agência da ONU para Refugiados também está monitorando os retornos e deportações da Guatemala, para assegurar que essas decisões estão sendo voluntárias e que respeitem o princípio fundamental de não-devolução.

A maioria das pessoas que viajam na caravana estão em grupos familiares, muitos deles com bebês e crianças pequenas. Seu bem-estar é de particular interesse devido ao calor extremo nas planícies tropicais de Chiapas, onde as temperaturas alcançaram o pico de 32°C esta semana, com alta umidade.

Enquanto isso, em Honduras, o ACNUR está monitorando a situação na fronteira com a Guatemala por meio de seus parceiros e do escritório em San Pedro Sula, e está trabalhando com as autoridades para garantir a recepção segura dos retornados aos membros da caravana.

“O ACNUR gostaria de lembrar os países da alta probabilidade de que esta caravana inclua pessoas que estão em verdadeiro perigo”, enfatizou Edwards. “Em situações como essa, é essencial que as pessoas tenham a chance de solicitar refúgio e de ter suas necessidades de proteção devidamente atendidas antes que qualquer decisão sobre retorno ou deportação seja feita.”

Eduardo está recebendo comida, assistência médica e abrigo no sul do México. Enquanto seu pedido de refúgio está sendo processado, ele pensa muito sobre sua irmã, que preferiu ficar em Honduras, onde permanece vulnerável à

“Minha irmã e eu somos inseparáveis, o que mais sinto falta é ouvir sua voz todos os dias. Eu me preocupo que um dia sua sorte acabe.”

Fonte: ACNUR