29 de março de 2020

Esta é uma republicação do portal Phomenta

Diversas dúvidas têm surgido de como as Organizações da Sociedade Civil ou ONGs devem agir nesse novo cenário de pandemia de vírus. Para apoiar os empreendedores de ONGs (como chamamos os gestores) de todo o Brasil a se informarem e tomarem melhores decisões, a Phomenta, em parceria com Institutos, Fundações, empresas e outros parceiros do ecossistema de impacto, lança um portal gratuito de compartilhamento de informação sobre os impactos do vírus no terceiro setor. Nosso objetivo é levar boas práticas, análises, notícias e conhecimento para que as ONGs de todo Brasil tenham mais ferramentas para trabalhar nesse cenário.

Contexto

O novo coronavírus, denominado Sars-Cov-2 e que causa a doença COVID-19, é a atual e mais importante preocupação de todo o mundo. Governos, empresas e a sociedade civil estão em alerta para todo o impacto que o coronavírus está causando.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou no dia 11/03 se tratar de uma pandemia, ou seja, o quadro mais grave quando comparado com um surto ou epidemia, atingindo todos os continentes e já causou milhares de mortes.

Ações para conter o vírus

Para se evitar uma maior disseminação do vírus, diversas ações estão sendo tomadas pelos governos e empresas. Algumas ações são: quarentena para as pessoas que viajaram para áreas de risco, trabalho remoto, cancelamento de reuniões, aulas e eventos com aglomerações e adiamento de viagens.

Essas medidas são importantes para “achatar a curva” – termo que você deve ter ouvido na TV ou viu em gráficos compartilhados nos últimos dias – para evitar uma sobrecarga no sistema de saúde.

O impacto das medidas contra o coronavírus nas Organizações da Sociedade Civil ou ONGs 

Inevitavelmente, assim como tudo que acontece no mundo, todas essas medidas impactam as organizações da sociedade civil, com suspensão das atividades do lado dos atendidos, migração para um trabalho remoto dos funcionários e impactando até mesmo as fontes de receita e as finanças da organização. Abaixo detalhamos mais cada um desses pontos:

Atendidos

Organizações que realizam atividades em grupos, sejam aulas, reforço escolar, oficinas artísticas ou mesmo reunindo grupos de voluntários para discussão de um assunto e ações na cidade terão em grande parte as suas atividades suspensas.

Apesar de necessária a suspensão das atividades para controle da disseminação do vírus, diversas perguntas ficam no ar, como por exemplo:

  • Onde famílias que precisam trabalhar deixam seus filhos, quando a ONG é o local que estes passariam o dia?
  • Como crianças, jovens, adultos e idosos irão se alimentar, quando a ONG fornece as principais refeições do dia dessas pessoas?
  • Como as pessoas realizam tratamentos de saúde ou psicológicos, quando a ONG fornece gratuitamente o acesso a esses serviços?

Trabalho e atividades remotas

Diversas empresas estão migrando para um regime de trabalho remoto para os seus funcionários. É esperado, com as recomendações dos órgãos de saúde, que muitas ONGs passem a adotar as mesmas medidas. E neste cenário, mais dúvidas surgem:

  • Como utilizar ferramentas digitais para comunicação entre pessoas e também fazer reuniões?
  • Como utilizar ferramentas na nuvem para execução de atividades?
  • Como migrar parte das atividades com os atendidos para o meio digital? E se grande parte não tem acesso a internet, ou mesmo um computador, em suas casas ou bairros?
  • Como repensar o trabalho da equipe, se o atendimento for suspenso?

Receitas e captação de recursos

As notícias já trazem como o novo coronavírus está impactando empresas e a economia em geral. Restaurantes fechados ou com movimentos baixos, passageiros cancelando viagens, empresas aéreas reduzindo número de voos e empresas cancelando grandes eventos e congressos. O impacto direto nesses setores reflete indiretamente em diversos outros. Um exemplo são os cortes de emprego e redução de salários que fazem com que as famílias diminuam o consumo, o que impacta a economia de forma geral.

Para as organizações, podemos prever impactos em diferentes tipos de fontes de receita. Impactos mais diretos como cancelamento de eventos beneficentes (feijoada, jantares) e diminuição de movimento ou mesmo fechamento de bazares, que são fontes importantes de receita para diversas ONGs do Brasil; ou indiretos, por exemplo, na redução da renda das famílias fazendo com que estas priorizem outros gastos em detrimento da doação; e, no médio prazo, cancelamento de editais e redução de verba disponível para projetos de incentivos fiscais  das empresas que tiveram grande redução de vendas.

Diante desse cenário do lado das receitas das ONGs, outras dúvidas surgem:

  • Como comunicar a doadores e parceiros da importância desses recursos para esse momento da organização?
  • Como pensar novos modelos de geração de receita?

Controle das finanças

Agir e se adaptar rapidamente às mudanças trazidas pela atual situação é muito relevante do ponto de vista financeiro da organização. As premissas que nortearam o seu orçamento para 2020 mudaram – isso é fato. Logo, a organização precisa rever urgentemente suas despesas, que é a parte sob a qual o empreendedor tem controle direto. Se esperar muito e as receitas diminuírem, pode ser tarde e a condição financeira (estamos falando de dinheiro em caixa!) pode ser muito pior, o que levará a decisões e cortes muito mais drásticos.

Mas, por outro lado, também é importante tomar cuidado com decisões precipitadas que podem ser prejudiciais. O momento é de cautela aliada a agilidade, pensando na continuidade da organização para tempos pós-crise.

Algumas perguntas podem surgir nesse ponto:

  • Quais planos de ampliação, investimentos e/ou compras podem ser adiados?
  • Do outro lado, quais planos adiados devem ser acelerados agora, pois trarão mais eficiência e adequação à nova realidade?
  • A organização  tem classificadas suas despesas e custos em 1) essenciais (ou obrigatórias) e 2) não essenciais (ou não obrigatórias), para priorizar eventuais cortes?
  • Como reagir rápido na readequação das despesas, para manter um caixa saudável para a organização?

As capacidades para passar dessa crise

Esta não é a primeira e nem será a última crise que as ONGs enfrentarão. É um momento de cautela, mas também de agilidade; de buscar informações confiáveis para desenhar cenários possíveis e tomar decisões bem informadas e precisas para o curto prazo (crise) e médio prazo (pós-crise).

E algumas capacidades vão ser essenciais para as organizações nesse momento. Uma delas é se adaptar de forma rápida, isso significa ter momentos de analisar as informações disponíveis e fazer as informações fluírem com mais velocidade dentro da organização. Só assim será possível inovar em outras capacidades como a de uma organização se sustentar (recursos financeiros e humanos) e até a maneira de se relacionar com atendidos, parceiros e sociedade. Além disso, para o trabalho remoto, a capacidade de digitalização das atividades, processos e comunicação serão essenciais, sendo necessário autonomia para as equipes realizarem suas atividades (centralização nos gestores é um grande problema nesse momento).

Phomenta