{"id":9097,"date":"2018-03-08T12:17:50","date_gmt":"2018-03-08T15:17:50","guid":{"rendered":"https:\/\/csem.org.br\/2018\/03\/08\/quando-e-ela-quem-parte\/"},"modified":"2024-03-09T13:17:00","modified_gmt":"2024-03-09T16:17:00","slug":"quando-e-ela-quem-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/quando-e-ela-quem-parte\/","title":{"rendered":"Quando \u00e9 ela quem parte&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.csem.org.br\/images\/idioma\/idi_bra.gif\" alt=\"\" title=\"\">&nbsp;No Dia Internacional da Mulher, o CSEM homenageia a todas as&nbsp;mulheres e em especial as que superam diversas barreiras frente&nbsp;aos desafios da decis\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><em>Por Carmem Lussi \u2013 Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; float: left;\" src=\"http:\/\/www.csem.org.br\/images\/Dia_internacional_da_mulher_-_facebook.png\" alt=\"Dia internacional da mulher - facebook\" width=\"350\" height=\"249\" title=\"\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes \u00e9 a irm\u00e3 mais velha que parte, porque tem que assumir a responsabilidade pela fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras vezes \u00e9 a irm\u00e3 menor que vai, pois tem que ser ela mesma a prover por si&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tem muitas vezes que \u00e9 a m\u00e3e que vai embora, apesar da dor de uma maternidade que n\u00e3o admite deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a\u00ed vai tamb\u00e9m aquela solteira, com esperan\u00e7a que a sina n\u00e3o seja de desgra\u00e7a para sempre&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tem ainda a esposa e a companheira e a amigada. Elas precisam sobreviver e a \u00fanica estrat\u00e9gia encontrada \u00e9 escapar, custe o que custar ser\u00e1 menos do que ficar&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ele j\u00e1 se foi, ou nunca esteve presente de fato, com apoio ou com ilus\u00e3o de apoio, \u00e0s vezes tem mesmo \u00e9 que partir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>QUANDO \u00c9 ELA QUEM PARTE, quantas barreiras a superar&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;na fam\u00edlia de origem, ai! S\u00f3 pode ir se for para ajudar os outros, n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo partir pensando em si mesma. Voc\u00ea foi criada para cuidar (de outros e outras).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;no contexto de origem, ai! Porque voc\u00ea quer ser diferente e tomar uma atitude de resist\u00eancia aos males que todas suportamos? Partir \u00e9 morrer? Talvez. Mas \u00e9 antes de tudo um ato de exist\u00eancia. Se ela vai tem um motivo, mesmo que n\u00e3o saiba quanto isso vai custar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;na hora de conseguir recursos para partir, ai! A d\u00edvida, voc\u00ea n\u00e3o sabe, pode te custar a liberdade e a paz da fam\u00edlia, por anos sem fim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;na fronteira seca, onde tem que enfrentar os monstros sobre os quais n\u00e3o tinha como tomar ci\u00eancia antes de sair, voc\u00ea descobre que a porta de sa\u00edda tem a marca do \u00f3rg\u00e3o genital feminino, sem deixar passar por ele, voc\u00ea n\u00e3o passa por ela. Agora sabe um pouco mais sobre o pre\u00e7o a pagar para migrar, mas a conta ainda n\u00e3o est\u00e1 completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;na outra fronteira, o representante da lei, normalmente um homem, oferece servi\u00e7os que se paga com sexo abusado ou com chantagens sobre os entes queridos ou ainda com roubo do pouco que resta para chegar ao destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;e quando a gravidez pelos abusos e viol\u00eancias mal suportadas se anuncia, n\u00e3o importa se o marido que te esperava no destino n\u00e3o tinha dinheiro e contatos para que voc\u00ea viesse de avi\u00e3o e sem riscos, ele n\u00e3o vai entender. E a maternidade vira condena\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230;e quando chega no pa\u00eds ainda assim a luta n\u00e3o termina, s\u00f3 muda. Se for negra \u00e9 puta ou prostituta. E se for branca \u00e9 est\u00fapida. E se n\u00e3o ter cor estigmatizada, tem sotaque, tem roupa que marca a diferen\u00e7a, tem modos de ser que voc\u00ea n\u00e3o sabe e muita solid\u00e3o, que n\u00e3o tem como contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>QUANDO \u00c9 ELA QUEM PARTE, tem resist\u00eancia e tem ousadia.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 ela quem emigra, tem sabor de vit\u00f3ria, porque precisa coragem e muita for\u00e7a interior para conseguir implementar um projeto desse tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 ela quem vai, ela leva consigo peda\u00e7os da fam\u00edlia que ficam grudados em seu corpo f\u00edsico ou emocional, e ela n\u00e3o sabe se desfazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 ela quem encabe\u00e7a o projeto migrat\u00f3rio, todo o corpo da fam\u00edlia conta com retornos, que pesam mais que uma gravidez, muito mais, porque s\u00e3o muitos dependentes ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 ela quem vai depois, ela tem que ser dependente pra sempre, para agradecer o servi\u00e7o de quem favoreceu sua chegada, mas sem os direitos conquistados por quem emigrou para desenvolver seu pr\u00f3prio projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ela vai com filhos, ela n\u00e3o tem direito a ser adulta e cidad\u00e3, \u00e9 dever dela ser m\u00e3e full time&#8230; seus filhos e filhas n\u00e3o fazem parte da sociedade onde ela chegou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ela parte&#8230; e o irm\u00e3o especial ou a m\u00e3e doente ficam para tr\u00e1s&#8230; que direito ela deveria querer ter de vida para si? Ela p\u00f4de emigrar, tem obriga\u00e7\u00e3o de prover pelas necessidades da fam\u00edlia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>QUANDO \u00c9 ELA QUEM PARTE&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela emigra, busca ref\u00fagio, imigra, ousa dar passos&#8230; a resist\u00eancia ganha contornos, a ousadia se veste de alegria, a for\u00e7a interior se mostra em corpos de mulheres e meninas discretas e focadas em seus objetivos e a criatividade baixa em mentes e cora\u00e7\u00f5es sedentos de futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 ela quem migra, o mundo se transforma, porqu\u00ea a ag\u00eancia de uma mulher que tem capacidade de fazer-se migrante \u00e9 uma bomba a tempo: antes ou depois ela revoluciona a sua vida e a de quem tem humildade e sabedoria para fazer parte da vida dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\">Bras\u00edlia, 08 de mar\u00e7o de 2018.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\"><em><a href=\"http:\/\/www.csem.org.br\/images\/Quando_\u00e9_ela_quem_parte.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui para acessar o texto em pdf<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;No Dia Internacional da Mulher, o CSEM homenageia a todas as&nbsp;mulheres e em especial as que superam diversas barreiras frente&nbsp;aos desafios da decis\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-9097","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9097","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9097"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9097\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9097"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9097"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}