15 de setembro de 2020

Um incêndio devastou o campo de Moria, que acolhia cerca de 13 mil pessoas que já vivam precárias condições de saúde e alimentação. No mês passado, dois grupos de scalabrinianas conheceram de perto a situação e relatam seus momentos mais marcantes.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

A situação já era desesperadora antes, agora é impossível imaginar como estão: este é o depoimento da Irmã Clarice Barp, scalabriniana, que no mês de agosto viveu uma experiência missionária no campo de refugiados que na quarta-feira (09/09) pegou fogo em Moria, na ilha grega de Lesbos.

Criado para abrigar pouco mais de duas mil pessoas, até ontem contava cerca de 13 mil requerentes de asilo. Agora o campo foi evacuado e os migrantes estão a espera de serem transferidos.

Irmã Clarice declara-se chocada com as imagens:

“É chocante ver as imagens do campo de Moria, em Lesbos, onde nós missionárias scalabrinianas, juntamente com a comunidade de Santo Egídio, estivemos no mês de agosto conhecendo, convivendo e aprendendo junto aos refugiados.É grande a dor e a tristeza de ver arder o campo. São nossos amigos e conhecidos que não mais de 15 dias estávamos com eles, compartilhando o nosso tempo na escola da paz, na escola de inglês. Almoçamos e jantamos juntos, brincamos com as crianças e rezamos com eles. Agora o incêndio destriu tudo o que eles tinham – e já tinham pouco. Mas era um pequeno telhado, onde se protegiam do sol, da chuva, do frio.”

Ir. Clarice relata que no dia 30 de agosto, último dia que estiveram no campo, jantaram com os voluntários e naquela ocasião houve um incêndio. Um jovem explicou que eram comuns episódios do gênero por parte de grupos que não querem a presença dos refugiados na ilha.

“A insegurança, a instabilidade, a violência e a precariedade predominam no campo”, afirma ainda a missionária. Porém, “mais triste e dolorido é ver a indiferença da União Europeia em resolver a situação”.

A maioria dos migrantes é constituída por afegãos, iraquianos e sírios que fugiram da guerra e “na Europa são recebidos desta forma: encerrados num campo com todo tipo de limitação e escassez de recursos tão básicos, como a água, a comida, a saúde, a educação”.

“É necessário e urgente uma solução humana e digna para essas pessoas.”

Outra missionária que esteve presente em Moria é a Irmã Marlene Vieira, que descreveu um cenário desolador antes mesmo do incêndio, um verdadeiro purgatório onde é difícil imaginar o futuro. Entre lixo, fezes e ratos, os jovens – 40% dos moradores do campo – lutam contra o ócio.

Já a Ir. Rosa Zanchin relata uma das experiências que mais a impressionou: a montanha de pertences abandonados que os migrantes utilizaram na travessia.

Fonte: vaticannews.va