5 de maio de 2017

 Investigações apontam que donos de casas noturnas atraíam venezuelanas com oferta de moradia e comida para que elas se prostituíssem. Três pessoas já foram presas na ação que ocorre em 7 municípios.

Investigações apontam que donos de casas noturnas atraíam venezuelanas com oferta de moradia e comida para que elas se prostituíssem. Três pessoas já foram presas na ação que ocorre em 7 municípios.

Polícia Federal em Roraima iniciou na manhã desta quinta-feira (4) uma operação de combate ao tráfico de mulheres venezuelanas para fins de exploração sexual, manutenção de casa de prostituição e rufianismo [prática de agenciadores que tiram proveito da prostituição alheia]. Três pessoas já foram presas em flagrante. A ação ocorre em sete cidades.

Estão sendo cumpridos 25 mandados de busca e apreensão e 21 conduções coercitivas, quando a pessoa é levada para depor. A operação é feita na capital Boa Vista, Rorainópolis, São Luis, Caroebe, Alto Alegre, Iracema e Mucajaí.

Segundo a PF, as investigações levaram sete meses e apontaram que nesse caso o crime de tráfico de pessoas não havia ‘grave ameaça, violência, coação, cárcere privado ou fraude contra as vítimas’, mas sim um aliciamento com oferta de moradia e comida em troca de prostituição.

A PF afirma que as venezuelanas eram procuradas por donos de casas noturnas do estado que se aproveitavam da situação de vulnerabilidade econômica em que elas se encontram para explorá-las sexualmente.

Para atrair as vítimas, os empresários ofereciam alojamento em quartos nos fundos de bares e, em alguns casos, alimentação. Em troca, as mulheres deveriam realizar os programas sexuais nos estabelecimentos deles, proporcionando maiores lucros para os proprietários.

“Alguns donos de bares permitem que as venezuelanas realizem programas em outro local, entretanto estas são obrigadas a pagar valores diretamente aos donos dos estabelecimentos”, informou a PF.

Venezuelanos em Roraima

A crise econômica na Venezuela, país que faz fronteira com Roraima, e que está a 250 km da capital Boa Vista, está provocando uma busca frequente de venezuelanos pelo Brasil. Dados divulgados pela PF mostram que os pedidos de refúgio de venezuelanos cresceram 22% mil em três anos.

Em 2015 e 2016, outras duas ações flagraram casos de exploração sexual de venezuelanas em Roraima. Em uma das ocasiões, uma operação do Tribunal de Justiça de Roraima encontrou nove venezuelanas morando em uma casa onde eram obrigadas a trocar sexo por comida. Na outra operação, organizada pela PF, 16 venezuelanas em situação irregular no país foram encontradas em uma casa noturna da capital.

Fonte: G1