Mais de 35 mil pessoas buscam segurança na fronteira entre Nigéria e Camarões

6 de fevereiro de 2019

Mais de 35 mil nigerianos atravessaram a fronteira entre Nigéria e Camarões nas duas últimas semanas de janeiro para fugir de ataques do grupo terrorista Boko Haram.

Os refugiados deixaram Rann com destino a Goura, Camarões, após a saída recente da Força-Tarefa Conjunta Multinacional (MNJTF), que protegeu a cidade nigeriana após um ataque em 14 de janeiro.

“Quando as forças militares foram embora, não tivemos outra possibilidade, a não ser sair”, disse um sobrevivente.

Pequenos abrigos, alguns cobertos com lençóis brancos fornecidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), pontilham a cinzenta planície empoeirada e banhada pelo sol em torno do vilarejo de Goura, no extremo nordeste de Camarões.

O abrigo da nigeriana Hebibi Toudjum é tão baixo que ela precisa engatinhar para entrar nele. Hebibi chegou do vilarejo de Rann, a sete quilômetros do outro lado da fronteira, na Nigéria, no fim de janeiro, após fugir de uma série de assassinatos cometidos pelo grupo terrorista Boko Haram.

“Eles mataram muitas pessoas e incendiaram a cidade”, disse ao UN News. “Todos estavam assustados, então, viemos para onde é seguro”, acrescentou.

Hebibi é uma das cerca de 35 mil pessoas que fugiram de Rann nas últimas duas semanas de janeiro, após combatentes extremistas do Boko Haram atacarem repetidamente a cidade.

Insurgência regional

O grupo terrorista está ativo no nordeste da Nigéria há mais de uma década. Milhares de pessoas, não só na Nigéria, mas também na fronteira com Camarões e Chade, foram mortas, muitas delas executadas sumariamente.

Os meios de subsistência de dezenas de milhares de outras foram destruídos na insurgência, conforme governos regionais lutam para colocar um fim à violência.

Os refugiados deixaram Rann após a saída recente da Força-Tarefa Conjunta Multinacional (MNJTF), que protegeu a cidade após um ataque em 14 de janeiro. A MNJTF foi montada pelos países afetados – Camarões, Chade, Nigéria, Níger e Benin – para conter o Boko Haram e outros grupos terroristas que estão ganhando força ao longo da região do Lago Chade.

“Quando as forças militares foram embora”, disse Kellou Maloum Modu, “não tivemos outra possibilidade, a não ser sair. Meu próprio irmão morreu. Eu peço a Deus que mantenha o Boko Haram longe de mim e da minha família”.

Com medo de voltar

Por ora, os 35 mil refugiados nigerianos estão seguros em Camarões, embora muitos estejam se colocando novamente em risco ao voltar a pé a Rann para buscar alguns pertences pessoais que não foram saqueados ou queimados.

Falando ao UN News em visita a Goura na sexta-feira (1), a coordenadora residente da ONU em Camarões, Allegra Baiocchi, disse: “vi muitas pessoas com medo aqui, cujas vidas foram destruídas pelo Boko Haram. As pessoas que vieram para cá realmente não tiveram escolha”.

Necessidade de mais recursos

As Nações Unidas e seus parceiros responderam ao fluxo súbito para Goura com fornecimento de serviços básicos para o que ainda é um assentamento improvisado de refugiados.

Em torno de 13 mil pessoas receberam suprimentos alimentares e cada refugiado registrado está recebendo seis litros de água limpa por dia, abaixo dos 15 litros mínimos recomendados.

“A resposta de agentes humanitários aqui tem sido muito impressionante, no que é um ambiente extremamente desafiador”, disse em Goura a autoridade sênior do ACNUR em Camarões, Geert Van de Casteele.

“Precisamos intensificar a resposta, tendo em mente a população local; este é o próximo passo e tenho esperança de que podemos alcançá-lo com aumento de financiamento”.

Em janeiro, a ONU, em coordenação com o governo e parceiros, anunciou seu Plano de Resposta Humanitária para 2019, que foca em todo o país, incluindo áreas afetadas pelo Boko Haram. Em torno de 4,3 milhões de camaroneses, em maioria mulheres e crianças, precisam de assistência vital.

Fonte: nacoesunidas

By | 2019-02-06T11:24:56+00:00 6 de fevereiro de 2019|0 Comments