16 de fevereiro de 2018

idi braMilhares de vítimas de tráfico de pessoas na Índia foram salvas graças ao trabalho das mulheres de ordens religiosas católicas, o qual uma grande ativista contra o tráfico considerou “nada menos do que milagroso”.

Milhares de vítimas de tráfico de pessoas na Índia foram salvas graças ao trabalho das mulheres de ordens religiosas católicas, o qual uma grande ativista contra o tráfico considerou “nada menos do que milagroso”.

Luke de Pulford é diretor da Arise Foundation, uma ONG com sede em Nova York e Londres que ajuda a apoiar redes de base contra a escravidão.

A reportagem é de Nirmala Carvalho, publicada por Crux, 13-02-2018. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

“A Índia é um grande exemplo de um lugar onde as mulheres religiosas têm construído redes para resgatar e reassentar milhares de vítimas. Sua rede – AMRAT – reúne centenas de irmãs de todo o país, além de trabalhar com dedicação contra esse mal”, disse ao Crux.

A Arise ajudou a promover um treinamento para a AMRAT em Bangalore, em novembro, com dois dias de formação aprofundada e incentivo mútuo a mais de 100 irmãs religiosas.

“O trabalho destas irmãs é nada menos do que milagroso. Elas oferecem suas vidas em serviço aos que sofrem e ainda são muitas vezes esquecidas pelos que estão em posição de ajudar”, disse de Pulford. “É um trabalho sustentável, feito pelo amor pela pessoa em sua frente. Elas não ganham nada com isso. Trabalhar em parceria com elas é muito simples para a Arise – é uma das nossas parcerias mais privilegiadas”.

Em números absolutos, a Índia deve ser o país com maior problema de tráfico humano no mundo: mulheres e meninas são usadas para escravidão sexual, e milhões vivem em trabalho forçado, um problema que muitas vezes é agravado pelo sistema de castas do país.

“Houve um grande progresso para evitar a exploração sexual e trabalhista pela legislação recente, mas ainda há uma lacuna enorme na implementação”, declarou de Pulford. “Entretanto, processos bem sucedidos são muito raros e as fraudes de agências de emprego que exploram tantos trabalhadores em todo o país permanecem quase totalmente regulamentadas.”

Em 2015, o Vaticano declarou que o “Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas” seria 8 de fevereiro, durante a celebração a Santa Josefina Bakhita, considerada santa padroeira das vítimas de tráfico.

Nascida em 1868 em Darfur, no Sudão, ela foi raptada aos nove anos de idade e vendida como escrava, primeiro em seu país e depois na Itália. Ela morreu em 1947 e tornou-se santa durante o papado de São João Paulo II, em 2000.

A partir desse ano, para marcar o dia, o Vaticano organizou uma reunião do Grupo de Santa Marta, que reúne policiais e religiosas do mundo todo para contribuir para uma melhor cooperação no combate ao tráfico de pessoas.

O diretor da Arise disse que embora seja um período de reflexão sobre um mal moderno, “também deve ser um momento para celebrar a devoção abnegada dos que tentam impedir o tráfico”.

“Muitas vezes a conversa em torno do tráfico na Igreja foca na alta retórica de autoridades eclesiásticas. A verdade é que o maior orgulho da Igreja nessa área é o trabalho das religiosas”, disse de Pulford.

“São elas que vivem com os pobres para impedi-los de serem enganados pelos traficantes. São elas que muitas vezes arriscam sua segurança para denunciar as operações do crime organizado em áreas onde tais tentativas são perigosas. São as pessoas que, quando houver simpósios ou conferências sobre a questão, devem ocupar o centro da mesa e cujas vozes, juntamente com as das vítimas, devem ser ouvidas em alto e bom som”, disse ao Crux.

A Arise Foundation tem trabalhado no apoio e defesa deste trabalho pelas religiosas, observando que grupos religiosos muitas vezes têm dificuldades de obter apoio governamental e de ONGs internacionais.

“Neste momento, milhões de pessoas vivem em condições semelhantes às da escravidão. Ainda que seja possível ter esperança dos milhares de grupos locais contra a escravidão que foram criados para ajudá-las, poucos têm o apoio de que necessitam. É um escândalo intolerável”, disse de Pulford.

“O problema é ainda pior nos grupos religiosos de linha de frente, que muitas vezes são vistos com estranha desconfiança por organismos ocidentais de financiamento”, acrescentou. “A Arise está tentando corrigir isto, demonstrando aos dedicados ativistas da linha da frente o respeito que merecem, independentemente de sua motivação; honrando seu compromisso dando os braços com eles contra esses males”.

A rede da fundação agora integra comunidades ao redor do mundo, em países como Brasil, Filipinas, Índia, Quênia, Camarões e Iraque.

Na região amazônica, parte de seu trabalho é entre comunidades indígenas rurais a centenas de quilômetros da cidade mais próxima, nos confins da Amazônia.

“A Arise forma parcerias com ativistas dedicados em algumas das regiões mais afetadas do mundo, impedindo a exploração e cuidados do que sofreram exploração”, explicou de Pulford.

Ele disse que a estratégia da caridade é totalmente nova: garantir que tudo que é feito baseia-se na necessidade de construir redes locais, insistindo para que o acompanhamento paciente que torna o trabalho de base especial não seja esquecido.

O Papa Francisco disse ao grupo de Santa Marta, em 9 de fevereiro, que as formas modernas de escravidão “são bem mais difusas do que se possa imaginar, até mesmo – para nossa vergonha e escândalo – dentro das mais prósperas sociedades”.

“O grito de Deus a Caim que se encontra nas primeiras páginas da Bíblia, ‘Onde está o seu irmão?’, nos provoca a examinar seriamente as várias formas de cumplicidade com as quais a sociedade tolera e encoraja a exploração de homens, mulheres e crianças, principalmente para fins sexuais”, disse o Papa.

Fonte: www.ihu.unisinos.br