11 de julho de 2017

idi braAção quer reunir refugiados sírios e o público da capital em um grande abraço. No dia 15 de agosto, na praça da Liberdade, haverá um grande ato pela paz no país árabe para chamar a atenção das autoridades.

De longe, apenas pela televisão, temos assistido há anos a crianças sendo mortas, jovens, mulheres e inocentes sendo massacrados – imagens desoladoras de uma guerra sem fim. Quem fica aqui não deixa de se indignar com tudo que acontece na Síria, mas não sabe muito o que fazer. Para todos que têm esse mesmo sentimento, no dia 15 de agosto, na praça da Liberdade, haverá um grande ato pela paz no país árabe para chamar a atenção das autoridades.

“Belo Horizonte é um pedacinho, mas as vozes se levantam de algum lugar. Queremos que todos os brasileiros compareçam nesse dia para mostrar o seu apoio a nossa causa. Tive essa ideia porque estamos vendo a Síria sendo destroçada por uma guerra, e ninguém está fazendo nada”, afirmou Emir Cadar, cônsul da Síria em Minas Gerais.

A Sempre Editora – empresa que edita os jornais O TEMPO e Super Notícia e é proprietária da rádio Super Notícia FM – é parceira nesta campanha humanitária e está apoiando a manifestação no próximo dia 15 de agosto. Cadar esteve nos estúdios da rádio e concedeu entrevista para o jornal Super N.

“Queria que Belo Horizonte fosse o primeiro local a se levantar e mostrar sua indignação com essa guerra. A Síria tinha 22 milhões de habitantes, e, hoje, são 11 milhões. Quatrocentos mil já morreram, sendo 100 mil crianças, o resto deixou o país. Os números são absurdos”, destacou o cônsul do país árabe.

Segundo Cadar, cerca de 250 sírios vivem hoje na capital mineira, e os belo-horizontinos têm recebido os refugiados de braços abertos. “Eles chegam sem falar a língua, sem dinheiro, mas estão conseguindo vencer”, disse o cônsul. “Temos notícias até de casamentos de refugiados com moças de BH, e nos alegra a miscigenação de raças”, completou ele.

Os sírios são bons cozinheiros e bons de negócios. Muitos estão trabalhando no ramo de comidas árabes. “Eles têm conseguido abrir pequenas lanchonetes, e o brasileiro gosta muito”, ressaltou Cadar, que acredita que poucos querem voltar para a Síria, e a maioria deseja estabelecer-se no Brasil.

Futuro.Boa parte dos refugiados sírios vive o presente, o agora; talvez tenham-se habituado a isso quando viviam em meio a guerra, bombas e tantas mortes. “O futuro é complicado por causa da nossa situação no Brasil (refugiado). Depois de três anos (fora), você esquece o barulho de armas, o medo de andar na rua e continua a vida normal, vê que vale a pena viver”, desabafou Wassim Al Abdalla, 35. Ele sente muita saudade da família e dos amigos que ficaram na Síria. “Nos primeiros anos, era a cabeça em um lugar e o coração em outro”, lembrou. Ele não consegue responder se vai voltar um dia: “É igual você pensar se quando perder sua mãe vai chorar ou não”. Ele tem esperança que a guerra vai acabar um dia. “Defendo sempre a paz”.

Al Abdalla chegou ao Brasil em 4 de julho de 2014 e cita a data com importância, um marco. Começou a trabalhar 15 dias depois, aprendeu português sozinho e acaba de formar-se no ensino médio brasileiro. Ele era técnico em informática na Síria e quer fazer engenharia. No momento, trabalha numa editora de livros religiosos como estoquista. “A vida não para, sempre tem um futuro”. Hoje, é a alegria dos brasileiros que o cativa, apesar da difícil situação econômica atual, “mas vai melhorar”. A única coisa que nunca vai acabar, ressalta ele, é a saudade.

TODOS JUNTOS

Causa

A ideia da manifestação na praça da Liberdade, no dia 15 de agosto, às 10h, é unir sírios e brasileiros que apoiam a causa apartidária por uma questão humanitária, explicou Emir Cadar.

Fonte: otempo.com.br