16 de agosto de 2020

O subsecretário da seção vaticana migrantes e refugiados, Cardeal Michael Czerny, denunciou que o tráfico de pessoas aumentou durante a pandemia da COVID-19.

Em uma entrevista ao Vatican News, o Cardeal Czerny lamentou com “grande tristeza” que nestes meses de pandemia o tráfico de pessoas tenha aumentado “terrivelmente”.

“Isto nos deve escandalizar. Enquanto todos nós – ‘os bons’ – estamos trancados em casa, como é que a demanda está aumentando e não diminuindo? Isto indica que as raízes do problema estão nas casas, nos corações das pessoas, dos cidadãos, dos irmãos e irmãs ao nosso redor. Esta conexão entre o tráfico e a vida aparentemente normal de pessoas aparentemente normais é um grande escândalo que deve nos fazer refletir, pedir perdão a Deus, para buscar a conversão necessária para reduzir e eliminar a demanda que é o motor do tráfico”, alertou.

Além disso, o subsecretário da seção refugiados e migrantes que depende do Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral indicou que “a maior resposta de toda a Igreja se encontra no compromisso das irmãs da rede Thalita Khum”.

Por esse motivo, o Cardeal explicou que, para a seção de migrantes e refugiados do Dicastério, “a primeira prioridade é acompanhar a rede, colaborar, apoiar, sugerir, facilitar…”.

Nesse sentido, o Cardeal Czerny assinalou que “em tantos países do mundo as irmãs estão realmente respondendo em nome da Igreja e em nome de Cristo”, por isso é “muito importante reconhecer este trabalho, porque elas não falam, mas agem”.

Da mesma forma, o subsecretário da seção de migrantes e refugiados reconheceu que a pandemia complicou o compromisso das religiosas, mas “graças a Deus, com a ajuda do Espírito Santo, elas sempre encontraram os meios para continuar a exercer o ministério”, e acrescentaram que “não se resignaram a três meses ou seis meses de lockdown. Não: elas mudaram os meios ou métodos e continuaram”.

Finalmente, no Dia Mundial contra o Tráfico, celebrado em 30 de julho, o Cardeal Czerny alertou que esse fenômeno abrange não apenas a prostituição, mas também “toda exploração on-line e o trabalho forçado; inclui também o tráfico de órgãos, um crime para o qual não há palavras, e outros aspectos, como o uso de pessoas para transportar drogas … Tudo isso são compromissos ou ‘empresas’ do tráfico”, pelos quais pediu reflexão. “O ponto é a cultura do descarte, uma cultura do prazer instantâneo ou necessário, obrigatório” porque algumas “necessidades” estão no “centro do problema do tráfico”.

ACI Digital