{"id":25993,"date":"2025-06-25T15:56:27","date_gmt":"2025-06-25T18:56:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.csem.org.br\/?post_type=csem_em_foco&#038;p=25993"},"modified":"2025-06-25T15:56:27","modified_gmt":"2025-06-25T18:56:27","slug":"entrevista-com-pelagie-quando-a-coragem-e-o-cuidado-se-tornam-resistencia","status":"publish","type":"csem_em_foco","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/csem_em_foco\/entrevista-com-pelagie-quando-a-coragem-e-o-cuidado-se-tornam-resistencia\/","title":{"rendered":"Intervista a Pelagie: quando il coraggio e la cura diventano resistenza"},"content":{"rendered":"<p>Durante a III Confer\u00eancia Internacional sobre Migra\u00e7\u00e3o e Ref\u00fagio (ICoMiR), realizada entre 19 e 22 de maio em Bras\u00edlia, Pelagie participava vendendo roupas e produtos artesanais em uma banca na \u00e1rea externa do evento, enquanto tamb\u00e9m acompanhava algumas das palestras que ocorriam. No \u00faltimo dia do encontro, foi escolhida para ser uma das porta-vozes do documento final \u2014 um reconhecimento simb\u00f3lico de uma trajet\u00f3ria marcada por luta, cuidado e esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Migrante da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Pelagie deixou o pa\u00eds fugindo da viol\u00eancia prolongada. \u201cEstamos buscando um lugar para viver em paz. O Congo est\u00e1 em guerra h\u00e1 muito tempo. Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 boa para uma crian\u00e7a. Um dia pode ir para a escola, no outro n\u00e3o. \u00c0s vezes, ficava meses em casa. Vivi isso desde 1995 e n\u00e3o queria que meus filhos passassem pela mesma coisa.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje no Brasil, foi o desejo de garantir seguran\u00e7a e dignidade para os filhos que motivou Pelagie a migrar. Agora, ela busca reconstruir a vida por meio do empreendedorismo. \u201cTrouxe roupas africanas para vender: casacos, cal\u00e7as, camisetas&#8230; \u00c9 o que posso fazer agora para viver com dignidade\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, Pelagie encontra for\u00e7as na maternidade. M\u00e3e de oito filhos, orgulha-se especialmente das duas filhas que estudam na Universidade de Bras\u00edlia (UnB). \u201cIsso \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria. A UnB d\u00e1 oportunidade a todos. Se voc\u00ea tem documento e o n\u00edvel necess\u00e1rio, pode conseguir uma vaga. Isso nos ajuda muito.\u201d Al\u00e9m de serem motivo de orgulho, as filhas tamb\u00e9m t\u00eam papel ativo na rotina da m\u00e3e. Sempre que poss\u00edvel, ajudam com os irm\u00e3os mais novos e at\u00e9 nas vendas. \u201cQuando t\u00eam um tempo livre, elas me acompanham e me ajudam com os neg\u00f3cios. E elas tamb\u00e9m me ajudam com o portugu\u00eas \u2014 est\u00e3o sempre me explicando palavras, me ensinando a falar melhor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Equilibrar o trabalho com os cuidados das crian\u00e7as, no entanto, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. Depois de quatro meses em um emprego formal em uma farm\u00e1cia, precisou abrir m\u00e3o. \u201cPerdi cinco quilos, n\u00e3o conseguia dar conta de tudo. Mas n\u00e3o posso ficar de bra\u00e7os cruzados. Por isso comecei a vender o que eu sei fazer.\u201d Em dias de folga ou nas f\u00e9rias escolares, ela intensifica as vendas com comidas t\u00edpicas africanas.<\/p>\n\n\n\n<p>E aprender o idioma tamb\u00e9m foi um desafio: \u201cL\u00e1 falamos franc\u00eas, lingala e outras l\u00ednguas. Aqui \u00e9 s\u00f3 portugu\u00eas. Mas estamos aprendendo. Isso me ajuda no hospital, no mercado, na escola\u201d, conta Pelagie durante entrevista ao Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM).<\/p>\n\n\n\n<p>Participar da ICoMiR foi, para ela, uma experi\u00eancia transformadora. \u201cMe senti acolhida. Descobri que existem organiza\u00e7\u00f5es que se preocupam com os imigrantes e querem garantir nossos direitos. Isso me faz bem.\u201d O evento reuniu mais de 200 pessoas presencialmente e cerca de 800 de forma virtual, representando 30 pa\u00edses. Foi a continuidade das primeiras edi\u00e7\u00f5es realizadas em Joanesburgo (2018) e Tijuana (2023). Refugiados, migrantes, acad\u00eamicos, ativistas e representantes de institui\u00e7\u00f5es compartilharam experi\u00eancias e reflex\u00f5es em torno do tema: \u201cCompreender, humanizar e valorizar as pessoas em mobilidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Pelagie acredita que espa\u00e7os como esse d\u00e3o visibilidade a vozes que normalmente s\u00e3o silenciadas. E deixa um recado para outras mulheres migrantes: \u201c\u00c9 preciso ter coragem. Aprender a l\u00edngua, buscar oportunidades, confiar que h\u00e1 pessoas boas aqui. Sempre existe um jeito de viver melhor.\u201d<\/p>","protected":false},"featured_media":25994,"parent":0,"template":"","categories":[59],"class_list":["post-25993","csem_em_foco","type-csem_em_foco","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-csem-em-foco"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco\/25993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/csem_em_foco"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}