{"id":17563,"date":"2020-02-21T15:31:21","date_gmt":"2020-02-21T18:31:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.csem.org.br\/?post_type=csem_em_foco&#038;p=17563"},"modified":"2023-07-21T16:20:50","modified_gmt":"2023-07-21T19:20:50","slug":"conheca-o-atendimento-da-pastoral-do-migrante-em-goiania","status":"publish","type":"csem_em_foco","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/csem_em_foco\/conheca-o-atendimento-da-pastoral-do-migrante-em-goiania\/","title":{"rendered":"Conoscere la Pastorale dei Migranti di Goi\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p><em>A maioria dos atendimentos no escrit\u00f3rio f\u00edsico \u00e9 para migrantes internos, brasileiros, geralmente provenientes do Norte e Nordeste, enquanto o n\u00famero de estrangeiros vem aumentando.<\/em><\/p>\n<p>A presen\u00e7a Scalabriniana em Goi\u00e2nia existe desde o final da d\u00e9cada de 1980, mas foi em 2000 que a Pastoral do Migrante abriu um escrit\u00f3rio na rodovi\u00e1ria da cidade para atender a popula\u00e7\u00e3o migrante em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade presente no local.\u00a0O objetivo \u00e9 acolher, escutar, dar orienta\u00e7\u00f5es e prover aux\u00edlio \u00e0s necessidades mais b\u00e1sicas, como o fornecimento de roupas, alimentos, ajuda de custo para que regressem a seus locais de origem e at\u00e9 para tratamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17567\" aria-describedby=\"caption-attachment-17567\" style=\"width: 431px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17567\" src=\"https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-21-at-15.33.20-376x360.jpeg\" alt=\"\" width=\"431\" height=\"412\" title=\"\"><figcaption id=\"caption-attachment-17567\" class=\"wp-caption-text\"><em>Posto de atendimento da pastoral na rodovi\u00e1ria de Goi\u00e2nia \/ Foto Igor B. Cunha &#8211; CSEM<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>A equipe presente no local \u00e9 composta por oito volunt\u00e1rios que se alternam durante a tarde, de 14h \u00e0s 18h, entre pessoas religiosas e leigas que se dedicam a ajudar o pr\u00f3ximo. A atual diretora da pastoral \u00e9 a Irm\u00e3 Gl\u00f3ria Dal Pozzo, mission\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de S\u00e3o Carlos Borromeo \u2013 Scalabrinianas (MSCS).<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Scalabrinianas, atuam em conjunto a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s da Caridade de Montreal e a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Vicentinas.<\/p>\n<p><strong>Espiritualidade<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez ao m\u00eas as pessoas envolvidas com a Pastoral do Migrante e quem passa pela rodovi\u00e1ria de Goi\u00e2nia s\u00e3o convidadas a participarem da Santa Missa presidida pelo bispo auxiliar de Goi\u00e2nia, Dom Moacir Silva Arantes. Segundo a diretora da pastoral, \u00e9 um momento no qual quem passa pelo local pode encontrar um espa\u00e7o de religiosidade.<\/p>\n<p><strong><em>Advocacy <\/em><\/strong><\/p>\n<p>A pastoral promove mensalmente um encontro com o Grupo Inter-religioso, onde se discute sobre a situa\u00e7\u00e3o das pessoas migrantes na regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, ainda faz parte do Comit\u00ea de Enfrentamento ao Tr\u00e1fico de Pessoas em Goi\u00e1s, que possui o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es preventivas,<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o do Dia Internacional dos Direitos Humanos, a diretora da pastoral, Irm\u00e3 Scalabriniana Gl\u00f3ria Dal Pozzo recebeu pela C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia uma homenagem conferida \u00e0s pessoas que se destacaram nos trabalhos e a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da defesa dos Direitos Humanos, Sociais, Pol\u00edticos e da Cidadania. J\u00e1 a prefeitura de Aparecida de Goi\u00e2nia a certificou com Honra ao M\u00e9rito, junto a outros representantes de entidades que contribuem para a defesa dos Direitos Humanos.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Novos fluxos atendidos<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do fluxo de migrantes internos que a pastoral atende por meio de seu escrit\u00f3rio na rodovi\u00e1ria &#8211; cerca de 700 atendimentos anuais, recentemente o fluxo de estrangeiros aumentou. A maioria dos que v\u00eam do exterior s\u00e3o haitianos e venezuelanos em busca de novos meios de vida na cidade.<\/p>\n<p>Angelica Maria Armas Gil, 33, \u00e9 uma das migrantes venezuelanas atendidas pela Pastoral do Migrante de Goi\u00e2nia. Ela come\u00e7ou sua jornada pelo Brasil h\u00e1 4 anos, decidiu migrar com a ajuda de redes de contatos de amigos que j\u00e1 estavam no pa\u00eds e poderiam ajud\u00e1-la. Passou por Boa Vista \u2013 RR, Alter do Ch\u00e3o \u2013 PA, cidade onde foi furtada e perdeu seu passaporte, e depois Bras\u00edlia \u2013 DF e logo Goi\u00e2nia \u2013 GO. Na capital do pa\u00eds deu \u00e0 luz a seu filho Jackson Alejandro, e j\u00e1 em Goi\u00e2nia se viu obrigada a buscar um dos abrigos da prefeitura para pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, pois devido \u00e0 falta de documentos e \u00e0 falta de vagas nas creches p\u00fablicas da cidade n\u00e3o consegue mais trabalhar como malabarista \u2013 sua antiga ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A migrante venezuelana relata que a vida nos abrigos da prefeitura \u00e9 dif\u00edcil para uma migrante: al\u00e9m das constantes brigas e amea\u00e7as entre as residentes, que a obriga a estar sempre atenta \u00e0 sua integridade e a de seu filho, ainda, segundo ela, \u201calguns funcion\u00e1rios [p\u00fablicos, do munic\u00edpio] se sentem no poder de humilhar as pessoas\u201d, e os casos de discrimina\u00e7\u00e3o ocorrem frequentemente. A falta de seguran\u00e7a e o descaso a afligem. A pastoral atualmente est\u00e1 auxiliando para que ela consiga alugar um quarto pequeno em outro lugar de Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>Riscos nas casas de acolhida<\/strong><\/p>\n<p>Ir. Gl\u00f3ria denuncia que os migrantes que chegam \u00e0s casas de acolhida de Goi\u00e2nia encontram sempre situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, de conflitos e falta de preparo para atender estrangeiros. <a href=\"http:\/\/www.ugopoci.com.br\/africano-esta-entre-vitimas-de-homicidio-na-casa-de-acolhida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em maio de 2019, dois homens foram mortos na Casa de Acolhida de Campinas, setor central da capital goiana, e um deles era o migrante africano Mohamed Alie Jalloh, de 25 anos.<\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_17564\" aria-describedby=\"caption-attachment-17564\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17564\" src=\"https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/WhatsApp-Image-2020-02-21-at-15.22.37-540x355.jpeg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"355\" title=\"\"><figcaption id=\"caption-attachment-17564\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ir. Gl\u00f3ria Dal Pozzo &#8211; Diretora da Pastoral dos Migrantes de Goi\u00e2nia \/ Foto Igor B. Cunha &#8211; CSEM<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Segundo a diretora da pastoral, um sonho antigo \u00e9 o de que seja criada uma casa de acolhida espec\u00edfica para migrantes e refugiados na regi\u00e3o, para que os casos de maior complexidade possam ser acompanhados de perto por equipes especializadas.<\/p>\n<p>Apesar dos riscos, Angelica conta que outros servidores p\u00fablicos a ajudaram no sentido de ceder seus aparelhos telef\u00f4nicos para falar com sua fam\u00edlia na Venezuela, servi\u00e7o que n\u00e3o \u00e9 oferecido oficialmente pelas casas de acolhida da prefeitura mas comum em outras casas de acolhida pelo mundo que s\u00e3o espec\u00edficas para migrantes.<\/p>\n<p><strong>Desafios e percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros sobre a migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Angelica notou que no \u00faltimo ano a rejei\u00e7\u00e3o aos migrantes no pa\u00eds aumentou: \u201cNos primeiros anos eu n\u00e3o via tanto [a xenofobia] mas agora entendo que quando \u00e9 turista, tudo bem. Mas se voc\u00ea vem pra morar, tudo muda\u201d. Segundo ela, as not\u00edcias na m\u00eddia que mostram migrantes cometendo delitos podem ser interpretadas por brasileiros de forma equivocada, generalizando a liga\u00e7\u00e3o entre criminalidade e migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os desafios, a migrante elenca que o fato do Brasil ser o \u00fanico pa\u00eds do continente a falar o portugu\u00eas dificulta muito a adapta\u00e7\u00e3o dos migrantes estrangeiros. Apesar de alguns grupos oferecerem aulas gratuitas do idioma para migrantes na cidade, a quest\u00e3o lingu\u00edstica continua sendo uma das maiores dificuldades ao procurar por trabalhos \u201ccom mais qualidade\u201d, ou lidar com processos burocr\u00e1ticos, por exemplo.<\/p>\n<p>A Igreja Ortodoxa e a prefeitura de Aparecida de Goi\u00e2nia est\u00e3o construindo uma creche no munic\u00edpio da Grande Goi\u00e2nia e a institui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 destinada especialmente aos filhos(as) de migrantes e pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade na cidade. O projeto nasceu devido \u00e0 necessidade de grupos de migrantes haitianos que sofriam por conta com a falta de vagas nas creches locais, tendo a necessidade de deixar seus filhos para que possam trabalhar. Estima-se que no bairro Expansul existam mais de 300 fam\u00edlias de haitianos e a inaugura\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para abril de 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saiba como ajudar<\/strong><\/p>\n<p>A Pastoral dos Migrantes de Goi\u00e2nia atende migrantes internos e estrangeiros na capital goiana que est\u00e3o em busca de emprego e outras formas de oportunidades. A contrata\u00e7\u00e3o de um migrante ou refugiado \u00e9 facilitada atrav\u00e9s da plataforma <a href=\"https:\/\/www.empresascomrefugiados.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Empresas com Refugiados<\/a>, uma iniciativa da Rede Brasil, do Pacto Global da ONU e da Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR).<\/p>\n<p>Para entrar em contato com a Pastoral e obter mais informa\u00e7\u00f5es ou ajudar diretamente, acesse:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Servi%C3%A7o-Pastoral-dos-Migrantes-SPM-Goi%C3%A2nia-1471316076413988\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">P\u00e1gina da Pastoral dos Migrantes de Goi\u00e2nia<\/a> \/ (62) 4018-1606\/99635-1212<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Texto por Igor B. Cunha<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Comunica\u00e7\u00e3o CSEM<\/em><\/p>\n","protected":false},"featured_media":17565,"parent":0,"template":"","categories":[45],"class_list":["post-17563","csem_em_foco","type-csem_em_foco","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-45"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco\/17563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/types\/csem_em_foco"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/it\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}