Recentemente, o Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM) participou do curso de formação “Fundamentos da Ecologia Integral”, promovido pelo Núcleo de Ecologia Integral (NEI) do Centro Cultural de Brasília. A atividade integra um ciclo formativo em andamento entre março e julho de 2026.
Na ocasião, Roberto Marinucci, vice-diretor e pesquisador do CSEM, editor-chefe da REMHU – Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, foi convidado a conduzir uma reflexão sobre a fundamentação eco-teológica a partir das encíclicas Laudato Si’ (2015) e Laudato Deum (2023), ambas do Papa Francisco. Sua exposição destacou a crítica ao paradigma do desenvolvimento predatório, ao consumismo e às dinâmicas estruturais de degradação socioambiental, além de enfatizar a necessidade de responsabilidade coletiva e cooperação global diante da crise climática.
A atividade evidenciou a centralidade de abordagens interdisciplinares, promovendo o diálogo entre saberes ancestrais, análise sociopolítica, espiritualidade e práticas territoriais no Distrito Federal. Nesse contexto, a formação reforça a articulação entre produção de conhecimento e ação social, orientada à transformação de realidades marcadas por desigualdades socioambientais.
Durante a apresentação, Roberto também destacou a situação dos chamados deslocados ambientais e climáticos. Conforme afirma o Papa Francisco, trata-se de um fenômeno marcado pelo aumento de pessoas que fogem da miséria agravada pela degradação ambiental e que, muitas vezes, não são reconhecidas como refugiadas nas convenções internacionais, permanecendo sem proteção normativa adequada.
De acordo com Roberto Marinucci, o Papa ressalta que a superação da crise ecológica exige “um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade” capazes de resistir ao avanço do paradigma tecnocrático, considerado um dos principais responsáveis pela crise e por seus impactos mais severos sobre as populações pobres e vulneráveis.
Por fim, o pontífice convida não apenas os membros da Igreja Católica, mas também pessoas de outras denominações religiosas e todas as pessoas de boa vontade a assumirem um compromisso com a “conversão ecológica”, reconhecendo que os seres humanos são parte integrante do meio ambiente e, portanto, responsáveis por sua preservação.

