{"id":26353,"date":"2026-02-02T11:04:33","date_gmt":"2026-02-02T14:04:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.csem.org.br\/?post_type=csem_em_foco&#038;p=26353"},"modified":"2026-02-02T17:20:47","modified_gmt":"2026-02-02T20:20:47","slug":"editorial-remhu-33-imobilidade-migracao-e-refugio-na-conjuntura-atual","status":"publish","type":"csem_em_foco","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/csem_em_foco\/editorial-remhu-33-imobilidade-migracao-e-refugio-na-conjuntura-atual\/","title":{"rendered":"EDITORIAL REMHU 33: (I)MOBILIDADE, MIGRA\u00c7\u00c3O E REF\u00daGIO NA CONJUNTURA ATUAL"},"content":{"rendered":"<p>O Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM) compartilha o Editorial do volume 33 da REMHU \u2013 Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, que analisa criticamente a conjuntura contempor\u00e2nea das migra\u00e7\u00f5es, dos regimes de mobilidade e das disputas pol\u00edticas em torno do ref\u00fagio. O texto, assinado pelo editor-chefe Roberto Marinucci, dialoga com os desafios \u00e9ticos, informacionais e geopol\u00edticos do tempo presente e reafirma o compromisso da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do CSEM com uma abordagem interdisciplinar, cr\u00edtica e comprometida com a dignidade, a ag\u00eancia e o protagonismo das pessoas em mobilidade.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\"><strong>(I)MOBILIDADE, MIGRA\u00c7\u00c3O E REF\u00daGIO NA CONJUNTURA ATUAL<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Antes de ser a favor ou contra as migra\u00e7\u00f5es, \u00e9 fundamental, numa \u00f3tica cient\u00edfica, compreender sua natureza e suas causas. Em uma recente publica\u00e7\u00e3o, o pesquisador holand\u00eas Hein\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B7_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de Haas (2024<\/a><\/strong>) sublinha a necessidade de abordar as migra\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas desde uma vis\u00e3o hol\u00edstica, como \u201cparte intr\u00ednseca e, portanto, indissoci\u00e1vel de processos mais amplos de transforma\u00e7\u00e3o social, cultural e econ\u00f4mica, que influenciam nossas sociedades e nosso mundo\u201d (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B7_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de Haas, 2024<\/a><\/strong>, tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse deveria ser o ponto de partida para qualquer sujeito social que quisesse lidar com assuntos migrat\u00f3rios, como\u00a0<em>policymakers<\/em>, organismos internacionais, grupos de interesse, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, m\u00eddia ou coletivos migrantes. No entanto, \u00e9 comum que cada um desses sujeitos sociais seja influenciado tamb\u00e9m &#8212; e sobretudo &#8212; por interesses espec\u00edficos e, inclusive, por quest\u00f5es conjunturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos aqui de destacar alguns desses desafios que marcam a conjuntura atual e que influenciam a compreens\u00e3o da (i)mobilidade humana em n\u00edvel regional e global. Retomando uma reflex\u00e3o iniciada na III Confer\u00eancia Internacional (ICoMiR)<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn1_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a><\/sup>, realizada pelo Centro Scalabriniano de Estudos Migrat\u00f3rios (CSEM), hoje vivemos uma \u00e9poca que podemos definir \u201c<em>p\u00f3s-Gaza<\/em>\u201d, \u201c<em>p\u00f3s-pand\u00eamica<\/em>\u201d e \u201c<em>p\u00f3s-al\u00e9tica<\/em>\".<\/p>\n\n\n\n<p>Para explicar o que entendo com a express\u00e3o \u201c<em>p\u00f3s-Gaza<\/em>\u201d vou usar as palavras do pesquisador indiano Pankaj&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B19_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mishra (2025<\/a><\/strong>), em seu livro&nbsp;<em>Il mondo dopo Gaza<\/em>: \u201cO que enfrentamos hoje \u00e9 uma ruptura definitiva na hist\u00f3ria \u00e9tica global ap\u00f3s o Ground Zero de 1945: a hist\u00f3ria em que a Shoah era a refer\u00eancia universal para indicar um tr\u00e1gico fracasso da moralidade humana\u201d (tradu\u00e7\u00e3o minha). Dito de outra forma, a comunidade internacional parece ter perdido ou amplamente relativizado alguns referenciais axiol\u00f3gicos que marcaram a \u00e9poca p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial ou p\u00f3s-Auschwitz, como a centralidade dos direitos dos seres humanos e dos povos, o multilateralismo e a rejei\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia armada como instrumento para solu\u00e7\u00e3o de disputas, entre outros. O que acorreu nos \u00faltimos dois anos em Gaza &#8211; com o apoio, a &#8220;indiferen\u00e7a&#8221; ou a omiss\u00e3o da comunidade internacional &#8211; representa uma evidente nega\u00e7\u00e3o desses princ\u00edpios, chegando inclusive a evid\u00eancias de limpeza \u00e9tnica, bem como \u00e0 assim chamada criminaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade, como atestado pelo assassinato, n\u00e3o raramente proposital, de civis, crian\u00e7as, agentes humanit\u00e1rios, m\u00e9dicos, enfermeiros e jornalistas, bem como pelo uso da fome como arma de guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em minha opini\u00e3o, o que est\u00e1 ocorrendo em Gaza nada mais \u00e9 do que um desdobramento ou radicaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas j\u00e1 em ato no \u00e2mbito migrat\u00f3rio. Dentre delas, gostaria de destacar apenas o Mediterr\u00e2neo enquanto \u201claborat\u00f3rio\u201d<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn2_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a><\/sup>: a \u2018indiferen\u00e7a\u2019 diante das mortes de milhares de pessoas afogadas no assim chamado&nbsp;<em>mare nostrum<\/em>&nbsp;&#8211; mortes \u201cmatadas\u201d e n\u00e3o \u201cmorridas\u201d &#8211; \u00e9 o produto de pr\u00e1ticas propositalmente planejadas e alimentadas pela demoniza\u00e7\u00e3o das migra\u00e7\u00f5es (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B25_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ruiz-Estramil, 2023<\/a><\/strong>;&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B12_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Guia, Pedroso, 2015<\/a><\/strong>) e at\u00e9 pela criminaliza\u00e7\u00e3o da ajuda humanit\u00e1ria, como comprovado pela persegui\u00e7\u00e3o de ONGs ou de pessoas solid\u00e1rias (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B23_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Penchaszadeh, Sferco, 2019<\/a><\/strong>). Ao que tudo indica, no mundo \u201cp\u00f3s-Gaza\u201d &#8211; marcado cada vez mais por necropol\u00edticas &#8211; n\u00e3o h\u00e1 mais&nbsp;<em>fraternit\u00e9<\/em>&nbsp;e tampouco justi\u00e7a para os milhares de \u201cmigrantes de sobreviv\u00eancia\u201d (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B4_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Betts, 2010<\/a><\/strong>;&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B20_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moreira, Silva, 2025<\/a><\/strong>) e tampouco para um povo que continua vivendo, h\u00e1 d\u00e9cadas, como estrangeiro em sua pr\u00f3pria terra (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B1_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alnaouq, Pam Bailey, 2025<\/a><\/strong>).<\/p>\n\n\n\n<p>Este mundo \u201cp\u00f3s-Gaza\u201d se nos apresenta ainda mais paradoxal ao se considerar que vivemos tamb\u00e9m em uma \u00e9poca \u201c<em>p\u00f3s-pand\u00eamica<\/em>\u201d. A pandemia de COVID-19 assolou o inteiro globo terrestre, provocando mudan\u00e7as radicais n\u00e3o apenas nas rotinas de bilh\u00f5es de pessoas &#8211; sobretudo no que diz respeito \u00e0 mobilidade<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn3_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a><\/sup>&nbsp;-, mas tamb\u00e9m inimagin\u00e1veis&nbsp;<em>lockdown<\/em>s com ingentes impactos sociais e macroecon\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, nos pergunt\u00e1vamos se a experi\u00eancia \u201cglobal\u201d da pandemia poderia despertar uma consci\u00eancia de interconex\u00e3o e interdepend\u00eancia planet\u00e1ria e, com isso, de unidade ou \u201cfraternidade universal\u201d. Em outras palavras, ap\u00f3s a crise sanit\u00e1ria, ir\u00edamos \u201ccontinuar com os paradigmas imunit\u00e1rios, vacinando as popula\u00e7\u00f5es contra os \u2018b\u00e1rbaros\u2019 mediante muros, populismos e<em>fake news<\/em>, ou assumir a comum dignidade de todos\/as os moradores do planeta terra?\u201d (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B17_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marinucci, 2021<\/a><\/strong>, p. 12).<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, ao que tudo indica, a pandemia n\u00e3o gerou nenhuma consci\u00eancia planet\u00e1ria ou cosmopolita. Os radicais protestos contra as limita\u00e7\u00f5es da mobilidade impostas pelos&nbsp;<em>lockdown<\/em>s n\u00e3o geraram nenhuma solidariedade com quem, diariamente, tem sua mobilidade impossibilitada ou prejudicada, inclusive quando fogem de conflitos, viola\u00e7\u00f5es generalizadas de direitos humanos ou desastres ambientais. Os graves impactos econ\u00f4micos dos&nbsp;<em>lockdown<\/em>s n\u00e3o despertaram a consci\u00eancia da viabilidade efetiva de \u201cmini-<em>lockdowns<\/em>\u201d (no sentido econ\u00f4mico), visando garantir a sobreviv\u00eancia biol\u00f3gica e social de solicitantes de ref\u00fagio e deslocados ambientais, promover a transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ou erradicar a fome no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como se tiv\u00e9ssemos perdido a capacidade de aprender da hist\u00f3ria e das nossas experi\u00eancias. Talvez, como sugeria Bauman<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>o ritmo da mudan\u00e7a talvez tenda a ser acelerado demais, e a velocidade com que novos fen\u00f4menos emergem na consci\u00eancia p\u00fablica e desaparecem das vistas \u00e9 demasiadamente grande. Isso impede que a experi\u00eancia se cristalize, estabelecendo-se e solidificando-se em atitudes e padr\u00f5es comportamentais, s\u00edndromes de valores e vis\u00f5es de mundo, pr\u00f3prios para serem registrados como tra\u00e7os permanentes do \u2018esp\u00edrito da \u00e9poca\u2019 e reclassificados como caracter\u00edsticas singulares e duradouras de uma gera\u00e7\u00e3o. (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B3_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bauman, 2009<\/a><\/strong>, p. 106-107)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que j\u00e1 durante a pandemia falava-se, com insist\u00eancia, em \u201cv\u00edrus estrangeiro trazido por estrangeiros\u201d. Como sempre, em situa\u00e7\u00f5es de crise, a busca de bodes expiat\u00f3rios atinge sempre pessoas estigmatizadas, como os \u201cmigrantes\u201d. No come\u00e7o do mil\u00eanio, ap\u00f3s o 11 de setembro, a suspeita de envolvimento com o terrorismo recaia sobretudo nos \u201cestrangeiros\u201d; em 2007-2008, no contexto da crise econ\u00f4mico\/financeira global, os \u201cestrangeiros\u201d eram acusados de roubar empregos e usufruir indevidamente dos servi\u00e7os sociais p\u00fablicos; j\u00e1 durante a assim chamada \u201ccrise dos refugiados\u201d de 2015, os \u201cestrangeiros\u201d, em fuga de conflitos e viola\u00e7\u00f5es generalizadas de direitos, eram tido como \u201cinvasores\u201d; com a chegada da pandemia, em 2019, eram eles os vetores da difus\u00e3o do v\u00edrus; em 2024, nas elei\u00e7\u00f5es dos EUA, conforme o candidato republicano, os \u201cestrangeiros\u201d foram tachados de \u201cinimigos p\u00fablicos\u201d do pa\u00eds<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn4_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a><\/sup>; finalmente, no contexto da crescente crise ecol\u00f3gico\/clim\u00e1tica, na \u00f3tica da ideologia do&nbsp;<em>ecobordering<\/em>&nbsp;(<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B27_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Santolini, 2024<\/a><\/strong>, p. 53-55), s\u00e3o tamb\u00e9m os \u201cestrangeiros\u201d os respons\u00e1veis pela degrada\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, devido ao suposto desinteresse ou desprezo pela terra de chegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Este processo de estigmatiza\u00e7\u00e3o das pessoas migrantes nos leva ao terceiro ponto que quero destacar: vivemos numa \u00e9poca \u201c<em>p\u00f3s-al\u00e9tica<\/em>\u201d (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B6_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">D\u2019Agostini, Ferrera, 2019<\/a><\/strong>). Utilizo essa express\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao termo grego \u201caletheia\u201d, verdade. Na conjuntura contempor\u00e2nea a utiliza\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;se tornou cada vez mais comum, proposital e inescrupulosa: um instrumento ordin\u00e1rio de manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o para obten\u00e7\u00e3o de consensos. Como nos lembra Enzo&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B21_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pace (2006<\/a><\/strong>), a viol\u00eancia das armas \u00e9 sempre precedida pela viol\u00eancia da \u201cpropaganda de guerra\u201d, pela viol\u00eancia do manique\u00edsmo da linguagem e dos s\u00edmbolos.<\/p>\n\n\n\n<p>Paradigm\u00e1tica nisso \u00e9, com certeza, a campanha eleitoral de 2024 do candidato republicano nos EUA. J\u00e1 falei da acusa\u00e7\u00e3o contra os migrantes de serem \u201cinimigos internos\u201d. Ademais, o atual presidente do pa\u00eds norte-americano culpou os n\u00e3o nacionais tamb\u00e9m de introduzir no pa\u00eds \u201cgenes ruins\u201d<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn5_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a><\/sup>&nbsp;e comer&nbsp;<em>pets<\/em>&nbsp;(em rela\u00e7\u00e3o aos haitianos). Tais acusa\u00e7\u00f5es apontam para uma suposta &#8211; e infundada &#8211; incompatibilidade biol\u00f3gica e cultural entre os nacionais e os n\u00e3o-nacionais. Um conflito de ra\u00e7as e civiliza\u00e7\u00f5es. Pesquisas da \u00e9poca revelaram que mais da metade dos eleitores do candidato republicano tendiam a acreditar nessas&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;acerca das pessoas migrantes<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn6_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros termos, cresce, por um lado, a toler\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o proposital de fake News e, por outro, se difunde um inevit\u00e1vel clima de suspeita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s fontes de informa\u00e7\u00e3o e, inclusive, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas. Esse \u201cd\u00e9ficit de credibilidade\u201d (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B6_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">D\u2019Agostini, Ferrera, 2019<\/a><\/strong>) representa uma clara viola\u00e7\u00e3o de direitos de cada cidad\u00e3o, al\u00e9m de ter consequ\u00eancias, muitas vezes, tr\u00e1gicas nas pessoas afetadas e em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e9poca \u201cp\u00f3s-al\u00e9tica\u201d n\u00e3o \u00e9 caracterizada apenas pelas&nbsp;<em>fake news<\/em>, mas tamb\u00e9m pelo \u201cexterm\u00ednio do dissenso\u201d: uma verdadeira guerra \u00e0s \u201ctestemunhas\u201d, aos \u201cobservadores\u201d, \u201caos pesquisadores\u201d, \u00e0queles que ousam desafiar o pensamento \u00fanico hegem\u00f4nico, revelando not\u00edcias \u201csigilosas\u201d, dando testemunhos e denunciando atos criminosos ou trazendo abordagens interpretativas her\u00e9ticas e contra-hegem\u00f4nicas (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B2_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Basualdo&nbsp;<em>et al<\/em>., 2019<\/a><\/strong>). O assassinato de cerca de 250 jornalistas em Gaza<sup><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#fn7_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a><\/sup>&nbsp;\u00e9 a maior evid\u00eancia dessa guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a publica\u00e7\u00e3o do volume 33 da Revista REMHU, que verte especificamente sobre (i)mobilidade, migra\u00e7\u00e3o e ref\u00fagio, se insere em um contexto marcado pela difus\u00e3o de necropol\u00edticas e pela perda de referenciais axiol\u00f3gicos herdados no per\u00edodo posterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial; pela reduzida capacidade de aprender e mudar a partir das experi\u00eancias hist\u00f3ricas; e pela manipula\u00e7\u00e3o proposital da informa\u00e7\u00e3o, mediante a difus\u00e3o de&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e o exterm\u00ednio do dissenso, com a inevit\u00e1vel gera\u00e7\u00e3o de um ethos de desconfian\u00e7a e suspeita. Trata-se de uma conjuntura que desafia o trabalho de uma revista cient\u00edfica focada na publica\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises interdisciplinares e academicamente fundamentadas sobre migra\u00e7\u00f5es e ref\u00fagio; desafia todos os segmentos sociais que buscam a promo\u00e7\u00e3o dos direitos e da integridade psicof\u00edsica (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B8_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eguiluz, 2022<\/a><\/strong>;&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B9_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ferreira&nbsp;<em>et al<\/em>., 2022<\/a><\/strong>) de pessoas migrantes e refugiadas, independentemente de sua nacionalidade; desafia a promo\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B28_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Triandafyllidou, 2019<\/a><\/strong>) e do protagonismo de indiv\u00edduos e, sobretudo, coletivos e associa\u00e7\u00f5es migrantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre os dossi\u00eas<\/h2>\n\n\n\n<p>Diante dessa conjuntura quero destacar os tr\u00eas dossi\u00eas publicados neste volume 33 da REMHU. O primeiro verte sobre \u201c<em>Iniciativas de empreendedorismo e autossustento de trabalhadores migrantes<\/em>\u201d: o objetivo do dossi\u00ea \u00e9 destacar tanto a proatividade das pessoas migrantes, quanto suas contribui\u00e7\u00f5es, de um ponto de vista sobretudo econ\u00f4mico, para os pa\u00edses de chegada e de origem. De fato, apesar da discrimina\u00e7\u00e3o, da vulnerabiliza\u00e7\u00e3o e de outras desvantagens estruturais, indiv\u00edduos, grupos e coletivos migrantes podem mobilizar redes \u00e9tnicas, contatos transnacionais e conhecimentos ancestrais, bem como a solidariedade da sociedade civil organizada local, para desenvolver din\u00e2micas de supera\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito econ\u00f4mico, gerando um impacto positivo n\u00e3o apenas para suas vidas, mas tamb\u00e9m para os pa\u00edses de acolhimento e de origem. Mesmo assim, como aponta o artigo de Antonio&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B24_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ricci (2025<\/a><\/strong>, p. 11) em rela\u00e7\u00e3o ao caso italiano, as iniciativas empreendedoras de indiv\u00edduos e grupos migrantes s\u00e3o sempre caracterizadas por \u201c<em>dinamismo substancial e crescimento constante, por um lado, e precariedade e fragilidade estrutural significativas, por outro<\/em>\u201d (tradu\u00e7\u00e3o minha), fato que constitui um desafio a ser levado em conta na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo dossi\u00ea foca as \u201c<em>Novas di\u00e1sporas brasileiras<\/em>\u201d e foi organizado por Igor Jos\u00e9 de Ren\u00f3&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B15_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Machado e Alexandre Branco-Pereira. Numa conjuntura marcada, neste ano de 2025<\/a><\/strong>, por deporta\u00e7\u00f5es generalizadas e violentas de brasileiros residentes no exterior, sobretudo nos EUA -embora n\u00e3o exclusivamente -, o que motivou o dossi\u00ea foi sobretudo o descompasso entre o aumento da emigra\u00e7\u00e3o brasileira e, ao mesmo tempo, a limitada produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, principalmente no que diz respeito \u00e0s novas di\u00e1sporas. Al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas sobre a tem\u00e1tica &#8211; informa\u00e7\u00f5es, infelizmente, ainda relativamente escassas -, o dossi\u00ea, como sinalizado no texto introdut\u00f3rio de&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B15_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Machado e Branco-Pereira (2025<\/a><\/strong>), aponta para uma mudan\u00e7a na reflex\u00e3o acad\u00eamica: \u201cse antes os textos tendiam a discorrer sobre comunidades brasileiras como unidades de an\u00e1lise (o que foi fundamental para estabelecer a tem\u00e1tica como central naquele momento), agora o olhar desnuda as diferen\u00e7as internas nas comunidades brasileiras no exterior. Entendendo essas comunidades como atravessadas por tens\u00f5es sociais que j\u00e1 estavam presentes no Brasil, esses trabalhos tecem an\u00e1lises a partir da constata\u00e7\u00e3o das interseccionalidades, especialmente as de g\u00eanero e ra\u00e7a\u201d (p. 7).<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o \u00faltimo dossi\u00ea, organizado por Maria Catarina Chitolina Zanini, Yolanda L\u00f3pez Garc\u00eda e Asmara Gonz\u00e1lez Rojas, sobre o tema: \u201c<em>Pesquisa sobre migra\u00e7\u00e3o: l\u00f3gicas, pr\u00e1ticas e metodologias entre tradi\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d busca refletir as pr\u00e1ticas acad\u00eamicas e ativistas na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento no \u00e2mbito das migra\u00e7\u00f5es e do ref\u00fagio. Uma tem\u00e1tica muito desafiadora no supracitado contexto p\u00f3s-al\u00e9tico, marcado por&nbsp;<em>fake news<\/em>&nbsp;e narrativas propositalmente distorcidas. Conforme o texto introdut\u00f3rio das organizadoras, os artigos do dossi\u00ea, oriundos de diferentes pa\u00edses e continentes, trouxeram interessantes reflex\u00f5es, como<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>repensar o papel hier\u00e1rquico entre pesquisadores e aqueles em investiga\u00e7\u00e3o; desenvolver um sistema de escuta ativa no qual migrantes e pessoas deslocadas sejam os protagonistas de seu pr\u00f3prio discurso e possam se reconhecer em seus contextos; que quest\u00f5es \u00e9ticas se tornem um aspecto di\u00e1rio e relevante da pesquisa; E que esse ativismo possa ser visto como algo inerente ao ato de pesquisar. (<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B14_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00f3pez Garc\u00eda, Zanini, Gonz\u00e1lez Rojas, 2025<\/a><\/strong>, p. 8, tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Desejo uma boa leitura a todas e todos<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a class=\"\"><\/a>ALNAOUQ, Ahmed; BAILEY, Pam (eds.).\u00a0<strong>Non siamo numeri<\/strong>\u00a0Le voci dei giovani di Gaza. Roma: Nutrimenti, 2025.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>BASUALDO, Lourdes; DOMENECH, Eduardo; P\u00c9REZ, Evangelina. Territorios de la movilidad en disputa: cartograf\u00edas cr\u00edticas para el an\u00e1lisis de las migraciones y las fronteras en el espacio sudamericano.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 27, n. 57, p. 43-60, 2019. DOI: 10.1590\/10.1590\/1980-85852503880005704.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>BAUMAN, Zygmunt.\u00a0<strong>A Arte da Vida<\/strong>\u00a0Rio de Janeiro: Zahar, 2009.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>BETTS, Alexander. Survival Migration: A New Protection Framework.\u00a0<strong>Global Governance: A Review of Multilateralism and International Organizations<\/strong>, v. 16, n. 3, 2010, p. 361-382. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1163\/19426720-01603006<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>BRAGE, Eugenia. El trabajo \u201cduro\u201d de sostener la vida : reflexiones a partir de una etnograf\u00eda con mujeres (cis) bolivianas que viven en S\u00e3o Paulo, Brasil en el contexto de la pandemia de Covid-19.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 30, n. 65, 2022. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006504.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>D\u2019AGOSTINI, Franca; FERRERA, Maurizio.\u00a0<strong>La verit\u00e0 al potere<\/strong>\u00a0Sei diritti aletici. Torino: Einaudi, 2019<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>De HAAS, Hein.\u00a0<strong>Migrazioni<\/strong>\u00a0La verit\u00e0 oltre le ideologie. Dati alla mano. Torino: Einaudi , 2024.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>EGUILUZ, Itzel. Entre Ulises y Pen\u00e9lope : Integrar la perspectiva de g\u00e9nero en los estudios sobre la salud mental de las mujeres migrantes.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 29, n. 63, p. 159-177, 2022. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006310.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>FERREIRA, Alisson Vinicius Silva; LODETTI, Mari\u00e1 Boeira; BORGES, Lucienne Martins. Recome\u00e7o: O sofrimento ps\u00edquico na imigra\u00e7\u00e3o involunt\u00e1ria e a pol\u00edtica de inclus\u00e3o nas universidades brasileiras.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 29, n. 63, p. 141-158, 2022. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006309.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>GANDINI, Luciana; SOLEDAD, \u00c1lvarez Velasco; E. FELDMANN, Andreas. M\u00e1s all\u00e1 del Dari\u00e9n: Econom\u00eda Pol\u00edtica de la Migraci\u00f3n en Tr\u00e1nsito por el Corredor Migratorio Regi\u00f3n Andina-Centroam\u00e9rica.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 32, p. e322030, 2024. DOI: 10.1590\/1980-85852503880003223.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>GODENAU, Dirk; ZAPATA HERN\u00c1NDEZ, Vicente Manuel. Las regiones insulares fronterizas en las rutas de la migraci\u00f3n mar\u00edtima irregular: Las Islas Canarias (Espa\u00f1a) en el tr\u00e1nsito africano hacia Europa.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 30, n. 64, p. 43-58, 2022. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006404.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>GUIA, Maria Jo\u00e3o; PEDROSO, Jo\u00e3o. A insustent\u00e1vel resposta da \u201cCrimigra\u00e7\u00e3o\u201d face \u00e0 irregularidade dos migrantes: uma perspetiva da Uni\u00e3o Europeia.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 23, n. 45, 2015. DOI: 10.1590\/1980-8585250319880004507.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>JAROCHINSKI SILVA, Jo\u00e3o Carlos; BAENINGER, Rosana. O \u00eaxodo venezuelano como fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o Sul-Sul.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 29, n. 63, p. 123-139, 2022. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/1980-85852503880006308<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>L\u00d3PEZ GARC\u00cdA, Yolanda; ZANINI, Maria Catarina Chitolina; GONZ\u00c1LEZ ROJAS, Asmara. Repensando la investigaci\u00f3n sobre migraci\u00f3n, sus l\u00f3gicas, pr\u00e1cticas y metodolog\u00edas entre tradici\u00f3n y transformaci\u00f3n.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 33, p. e332249, 2025.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MACHADO, Igor Jos\u00e9 de Ren\u00f3; BRANCO-PEREIRA, Alexandre. Por um cancioneiro da emigra\u00e7\u00e3o brasileira: onde estamos e para onde dever\u00edamos ir.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 33, p. e332230, 2025. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/1980-858525038800033201.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MAGALH\u00c3ES, Lu\u00eds Felipe Aires; B\u00d3GUS, Lucia; BAENINGER, Rosana. Covid-19 e imigra\u00e7\u00e3o internacional na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 29, n. 61, p. 15-32, 2021. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006102<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MARINUCCI, Roberto. Mobilidades, imobilidades e mobiliza\u00e7\u00f5es em tempos de COVID-19.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 29, n. 61, p. 7-13, 2021. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/1980-85852503880006101<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MARTUSCELLI, Patr\u00edcia Nabuco. Como refugiados s\u00e3o afetados pelas respostas brasileiras a COVID-19?.\u00a0<strong>Rev. Adm. P\u00fablica<\/strong>, v. 54, n. 5, p. 1446-1457, 2020. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1590\/0034-761220200516x.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MISHRA, Pankaj.\u00a0<strong>Il mondo dopo Gaza<\/strong>\u00a0Ugo Guanda: Milano, 2025.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>MOREIRA, Julia Bertino; SILVA, Jo\u00e3o Carlos Jarochinski. Migra\u00e7\u00f5es de crise \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria e de ref\u00fagio no Brasil contempor\u00e2neo.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 33, p. e332192, 2025. DOI: 10.1590\/1980-85852503880003321.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>PACE, Enzo.\u00a0<strong>Perch\u00e9 le religioni scendono in guerra?<\/strong>\u00a0Milano: Laterza, 2006.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>PENCHASZADEH, Ana Paula; NICOLAO, Julieta; DEBANDI, Natalia. Impacto de la Covid-19 sobre la poblaci\u00f3n migrante residente en Argentina a la luz de las dificultades que obstaculizan su acceso a la salud.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 30, n. 64, p. 227-250, 2022. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006414.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>PENCHASZADEH, Ana Paula; SFERCO, Senda In\u00e9s. Solidaridad y Fraternidad. Una nueva clave \u00e9tico-pol\u00edtica para las migraciones.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 27, n. 55, p. 149-164, 2019. DOI: 10.1590\/1980-85852503880005510.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>RICCI, Antonio. Empreendedorismo imigrante e prosperidade econ\u00f4mica na Europa: percep\u00e7\u00f5es e li\u00e7\u00f5es do caso italiano.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 33, p. e332085, 2025. DOI: 10.1590\/10.1590\/1980-858525038800033103.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>RUIZ-ESTRAMIL, Ivana Bel\u00e9n. La tercerizaci\u00f3n de la responsabilidad de proteger en el Nuevo Pacto sobre Migraci\u00f3n y Asilo en Europa.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia , v. 31, n. 68, p. 27-43, 2023. DOI: 10.1590\/1980-85852503880006803.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>SAMPAIO, Mari\u00e1 Lanzonetti; ALMEIDA, Alexandra Cristina Gomes de; SILVEIRA, C\u00e1ssio; MATSUE, Regina Yoshie; MARTIN, Denise. Repercuss\u00f5es sociossanit\u00e1rias da pandemia por Covid-19 para imigrantes e refugiados no Brasil: Uma revis\u00e3o narrativa da literatura.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 31, n. 68, p. 219-239, 2023.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>SANTOLINI, Francesca.\u00a0<strong>Ecofascisti<\/strong>\u00a0Estrema destra e ambiente. Torino: Einaudi , 2024.<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>TRIANDAFYLLIDOU, Anna. The Migration Archipelago: Social Navigation and Migrant Agency.\u00a0<strong>International Migration<\/strong>, v. 57, n. 1, p. 5-19, 2019. DOI: https:\/\/doi.org\/10.1111\/imig.12512<\/li>\n\n\n\n<li><a class=\"\"><\/a>VILA FREYER, Ana. \u00bfParadigmas en conflicto? La creaci\u00f3n y criminalizaci\u00f3n del migrante en tr\u00e1nsito en M\u00e9xico.\u00a0<strong>REMHU: Revista Interdisciplinaria de Movilidad Humana<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 32, p. e321977, 2024. DOI: 10.1590\/1980-85852503880003219.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>1<\/strong> A III ICoMiR ocorreu entre os dias 19 e 22 de maio em Bras\u00edlia, com o tema: Di\u00e1logos para compreender, humanizar e valorizar as pessoas em mobilidade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>2<\/strong> A migra\u00e7\u00e3o no Mediterr\u00e2neo \u00e9 a ponta de iceberg de realidades que ocorrem em outras \u00e1reas geogr\u00e1ficas (cf.\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B11_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Godenau, Zapata Hern\u00e1ndez, 2022<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B29_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vila Freyer, 2024<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B13_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jarochinski, Baeninger, 2022<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B10_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gandini\u00a0<em>et al<\/em>., 2024<\/a><\/strong>, entre outros)<\/li>\n\n\n\n<li><strong>3<\/strong> Sobre mobilidade e Covid-19, ver\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B16_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Magalh\u00e3es\u00a0<em>et al<\/em>., 2021<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B18_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Martuscelli, 2020<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B22_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Penchaszadeh, Nicolao, Debandi, 2022<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B5_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brage, 2022<\/a><\/strong>;\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/ThxcgT6Lx7DNL8ZZVtzGsFn\/?lang=pt#B26_ref\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sampaio\u00a0<em>et al<\/em>., 2023<\/a><\/strong>.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>4<\/strong> https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/eleicoes-nos-eua-2024\/deportacao-em-massa-prometida-por-trump-entenda-como-deve-ser-executada-e-os-obstaculos\/<\/li>\n\n\n\n<li><strong>5<\/strong> Cf. https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/eleicoes-nos-eua-2024\/trump-diz-que-ha-muitos-genes-ruins-entre-imigrantes-nos-eua\/<\/li>\n\n\n\n<li><strong>6<\/strong> Cf. https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2024\/09\/17\/eleitores-trump-acreditam-imigrantes-comem-pets.htm<\/li>\n\n\n\n<li><strong>7<\/strong> https:\/\/it.euronews.com\/2025\/09\/01\/gaza-246-giornalisti-uccisi-la-guerra-piu-letale-per-la-stampa-nella-storia-moderna<\/li>\n<\/ul>","protected":false},"featured_media":26359,"parent":0,"template":"","categories":[],"class_list":["post-26353","csem_em_foco","type-csem_em_foco","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco\/26353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/csem_em_foco"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}