{"id":24071,"date":"2024-09-13T10:58:28","date_gmt":"2024-09-13T13:58:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.csem.org.br\/?post_type=csem_em_foco&#038;p=24071"},"modified":"2024-09-13T10:58:29","modified_gmt":"2024-09-13T13:58:29","slug":"a-escola-como-local-de-acolhimento-para-criancas-migrantes","status":"publish","type":"csem_em_foco","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/csem_em_foco\/a-escola-como-local-de-acolhimento-para-criancas-migrantes\/","title":{"rendered":"A escola como local de acolhimento para crian\u00e7as migrantes"},"content":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a de crian\u00e7as em contextos migrat\u00f3rios chama aten\u00e7\u00e3o para diversos aspectos da viv\u00eancia nas sociedades de destino, sendo um deles a inser\u00e7\u00e3o nos ambientes escolares.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensar a escola enquanto um espa\u00e7o sociocultural \u00e9 pens\u00e1-la sob a perspectiva de uma institui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, heterog\u00eanea, que recebe indiv\u00edduos de diferentes classes sociais, etnias, culturas, regionalidades, g\u00eaneros (Azevedo e Barreto, 2020), entre outras diversidades, e, a partir disso, pensar em cada sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, na escola \u00e9 preciso garantir que o processo de ensino-aprendizagem possa se desenvolver por meio da troca e do compartilhamento de culturas e de saberes. Dessa forma, a institui\u00e7\u00e3o pode se tornar um espa\u00e7o para o exerc\u00edcio da interculturalidade, oferecendo oportunidades de interc\u00e2mbios entre as crian\u00e7as migrantes e as nacionais para conhecer as express\u00f5es culturais de cada uma e permitindo que, no processo educacional, se coloque em perspectiva a presen\u00e7a dos \u201coutros\u201d, valorizando a diversidade como uma condi\u00e7\u00e3o natural e necess\u00e1ria \u00e0 humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No Editorial da Revista REMHU n. 69, cujo Dossi\u00ea trata do tema \u201ceduca\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e direitos humanos\u201d, Marinucci (2023) argumenta sobre a import\u00e2ncia de uma abordagem interpretativa das migra\u00e7\u00f5es como fen\u00f4meno estrutural das sociedades, para que haja pol\u00edticas educacionais voltadas para a interculturalidade, com reformula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados curriculares e processos avaliativos com vistas a superar o etnocentrismo e serem mais inclusivas para as pessoas migrantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para o contexto brasileiro, a legisla\u00e7\u00e3o determina que estrangeiros t\u00eam direito ao acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o da mesma forma que as crian\u00e7as nacionais. Entretanto, sabe-se que as pessoas migrantes podem enfrentar diferentes barreiras no acesso \u00e0s escolas, bem como podem vivenciar um processo de inser\u00e7\u00e3o muitas vezes permeado por discrimina\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 preciso garantir que as crian\u00e7as migrantes sejam inclu\u00eddas no processo educativo e, al\u00e9m de terem acesso \u00e0 matr\u00edcula, estejam de fato inseridas no contexto escolar e respeitadas em suas singularidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, o CSEM conversou com a Fab\u00edola Ribeiro de Souza, Doutora em Psicologia Escolar do Desenvolvimento, linguista, pedagoga e professora de ingl\u00eas na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal h\u00e1 mais de trinta anos. Atualmente, a professora desenvolve o projeto Bem-vindos ao DF &#8211; Portugu\u00eas L\u00edngua de acolhimento e desenvolvimento humano, no Centro de L\u00ednguas do Guar\u00e1, um projeto fruto de parceria entre a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do DF e a Universidade de Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"803\" src=\"https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-12-at-15.35.25-1024x803.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24072\" title=\"\" srcset=\"https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-12-at-15.35.25-1024x803.jpeg 1024w, https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-12-at-15.35.25-300x235.jpeg 300w, https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-12-at-15.35.25-768x602.jpeg 768w, https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/WhatsApp-Image-2024-09-12-at-15.35.25.jpeg 1079w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na reflex\u00e3o sobre como as escolas podem ser locais de acolhimento para crian\u00e7as migrantes, a Prof. Dra. Fab\u00edola Ribeiro de Souza destaca alguns aspectos. O primeiro se refere \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de educa\u00e7\u00e3o, uma vez que deve abranger n\u00e3o apenas os professores, que devem ter uma prepara\u00e7\u00e3o que os ajude a acolher as crian\u00e7as migrantes e a enxergar a oportunidade que \u00e9 ter alunos de outras culturas e outros pa\u00edses, mas tamb\u00e9m a equipe gestora das escolas para que tenham informa\u00e7\u00f5es corretas e atualizadas sobre como atender essas fam\u00edlias sem gerar dificuldades adicionais exigindo documentos do pa\u00eds de origem, por exemplo. A professora tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia da equipe gestora identificar os alunos migrantes e poder adaptar o card\u00e1pio do lanche escolar respeitando quest\u00f5es culturais e religiosas, quando se trata de estudantes mu\u00e7ulmanos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um segundo aspecto a se destacar diz respeito ao papel que a escola tem de propiciar a imers\u00e3o na cultura para as crian\u00e7as migrantes, sem desconsiderar as identidades culturais dos alunos durante o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, \u00e9 importante que as escolas tamb\u00e9m possibilitem \u201co desenvolvimento das crian\u00e7as de forma que elas possam se tornar bil\u00edngues\u201d, oportunizando tanto a aprendizagem do portugu\u00eas, quanto espa\u00e7os para que possam se expressar na l\u00edngua nativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que contribui para que a escola seja um lugar de acolhimento para as crian\u00e7as migrantes em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 import\u00e2ncia dessas crian\u00e7as estarem em um ambiente com muitas atividades, altamente ilustradas. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante disponibilizar nesses espa\u00e7os ferramentas de tradu\u00e7\u00e3o, tais como informativos no idioma materno do aluno e em portugu\u00eas, al\u00e9m de permitir que tenham acesso a tradutores eletr\u00f4nicos em tablets ou celulares em alguns momentos. Tudo isso contribui para que a escola tenha estrat\u00e9gias para simbolizar as mensagens que precisam ser comunicadas e para facilitar o entendimento das crian\u00e7as sobre o ambiente em que est\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O desenvolvimento de uma pedagogia mais inclusiva, baseada nos interesses das crian\u00e7as para o desenvolvimento da escrita e da leitura e na valoriza\u00e7\u00e3o das identidades e culturas dos alunos migrantes \u00e9 fundamental, consistindo em uma oportunidade para se trabalhar diferentes temas e conte\u00fados a partir da presen\u00e7a de uma crian\u00e7a migrante em sala de aula, pois tudo isso molda o ambiente em que a alfabetiza\u00e7\u00e3o vai sendo desenvolvida, como relata a professora Fab\u00edola. Desenvolver projetos que valorizem a cultura, aspectos positivos do pa\u00eds de origem, como as comidas, entre outros, fazem parte de um trabalho pedag\u00f3gico que, inclusive, pode evitar e at\u00e9 mesmo sensibilizar os estudantes quando h\u00e1 casos de bullying e xenofobia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para este p\u00fablico espec\u00edfico das crian\u00e7as migrantes, os sentimentos de pertencimento e a socializa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito escolar s\u00e3o fundamentais no processo de aprendizagem. Nesse sentido, \u00e9 importante que elas estejam inseridas nas s\u00e9ries compat\u00edveis com sua idade e que n\u00e3o sejam reprovadas por ainda n\u00e3o ter o dom\u00ednio da l\u00edngua portuguesa. Sobre isso, a professora comenta que \u00e9 muito importante a escola ter uma compreens\u00e3o da aprendizagem como algo c\u00edclico e progressivo, para al\u00e9m de uma l\u00f3gica baseada em resultados obtidos em provas, valorizando o que foi aprendido e dando oportunidade de suprir as lacunas nos pr\u00f3ximos ciclos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Prof. Fab\u00edola aponta como um desafio a ser superado a falta de informa\u00e7\u00f5es sobre os direitos e formas de acesso das crian\u00e7as migrantes nas escolas, sendo este assunto algo a ser difundido nos meios de comunica\u00e7\u00e3o em massa para que possa chegar em diferentes locais e pessoas. Ela encerra afirmando que em uma escola acolhedora para crian\u00e7as migrantes em processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso \u201camar, amar no sentido de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o do sentimento, mas do agir. Tratar a crian\u00e7a com respeito, se colocando no lugar daquela pessoa, que o futuro do Brasil, \u00e9 o futuro do planeta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Fontes:<\/p>\n\n\n\n<p>Marinucci, Roberto. Editorial: A educa\u00e7\u00e3o no contexto da mobilidade internacional e das pol\u00edticas migrat\u00f3rias. In: REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, v. 31, n. 69, dez. 2023, p. 7-14. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/fRWtD8DkzZDbZ5PnXNqXHsx\/?format=pdf&amp;lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/remhu\/a\/fRWtD8DkzZDbZ5PnXNqXHsx\/?format=pdf&amp;lang=pt<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Azevedo, Ana Paula Zaikievicz; Barreto, Ketlin Petini. A migra\u00e7\u00e3o infantil e o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de crian\u00e7as migrantes em solo brasileiro. In: TraHs N\u00fameros especiales N\u00b06 | 2020 : Desafios migrat\u00f3rios contempor\u00e2neos. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.unilim.fr\/trahs\/2368&amp;file=1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.unilim.fr\/trahs\/2368&amp;file=1\/<\/a><\/p>","protected":false},"featured_media":24073,"parent":0,"template":"","categories":[59],"class_list":["post-24071","csem_em_foco","type-csem_em_foco","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque-csem-em-foco"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco\/24071","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/csem_em_foco"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24073"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24071"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24071"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}