{"id":17812,"date":"2020-05-03T13:10:22","date_gmt":"2020-05-03T16:10:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.csem.org.br\/?post_type=csem_em_foco&#038;p=17812"},"modified":"2023-07-21T16:20:35","modified_gmt":"2023-07-21T19:20:35","slug":"roraima-fechamento-das-fronteiras-e-o-desafio-do-acolhimento-a-migrantes-e-refugiados-em-meio-a-pandemia","status":"publish","type":"csem_em_foco","link":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/csem_em_foco\/roraima-fechamento-das-fronteiras-e-o-desafio-do-acolhimento-a-migrantes-e-refugiados-em-meio-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Roraima: fechamento das fronteiras e o desafio do acolhimento a migrantes e refugiados em meio \u00e0 Pandemia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>O Governo brasileiro e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil se mobilizam para atender aqueles que ficaram no pa\u00eds em meio a pandemia do Covid-19<\/em><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do crescimento migrat\u00f3rio de venezuelanos e venezuelanas para outros pa\u00edses entre 2013 e 2014, mais de 200 mil migrantes j\u00e1 cruzaram a fronteira do pa\u00eds apenas com o estado de Roraima. Segundo a Pastoral do Migrante do estado, que atua diretamente na acolhida e inser\u00e7\u00e3o dessa popula\u00e7\u00e3o na sociedade, at\u00e9 fevereiro deste ano cerca de 700 venezuelanos chegavam ao pa\u00eds diariamente. Esta situa\u00e7\u00e3o mudou diante da pandemia do novo Coronav\u00edrus, que levou ao fechamento da maioria das fronteiras ao redor do mundo como uma das medidas para evitar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. No dia 20 de mar\u00e7o a fronteira do Brasil com a Venezuela foi fechada, diminuindo bruscamente o ent\u00e3o fluxo migrat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Por causa dessa situa\u00e7\u00e3o, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/04\/06\/em-meio-a-pandemia-15-mil-venezuelanos-tentam-retornar-da-colombia-peru-e-equador\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">muitos migrantes decidiram voltar ao pa\u00eds de origem.<\/a>\u00a0O retorno dessa popula\u00e7\u00e3o representa n\u00e3o somente a preocupa\u00e7\u00e3o com os familiares que permaneceram na Venezuela, mas tamb\u00e9m as dificuldades que a doen\u00e7a trouxe para suas vidas em outros pa\u00edses. O isolamento social impossibilitou o exerc\u00edcio das atividades laborais dos(as) migrantes que, em sua maioria, atuavam no mercado informal como vendedores ambulantes. O isolamento social agravou suas condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia. Al\u00e9m disso, as institui\u00e7\u00f5es que ofereciam aux\u00edlios b\u00e1sicos e jur\u00eddicos, como ajuda na regulariza\u00e7\u00e3o de documentos, tiveram que suspender os trabalhos presenciais.<\/p>\n<p>Em Roraima, o CAD (Centro de Atendimento de Documenta\u00e7\u00e3o) da Pastoral do Migrante orientava entre 45 a 60 pessoas por dia antes de seu fechamento. Muitos venezuelanos j\u00e1 tiveram acesso ao aux\u00edlio emergencial do governo brasileiro, por\u00e9m, aqueles sem a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria tiveram dificuldade em obt\u00ea-lo. Atualmente, a preocupa\u00e7\u00e3o gira entorno da sa\u00fade e subsist\u00eancia dessas pessoas.<\/p>\n<p>Os abrigos da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, treze unidades com sete mil migrantes no total, est\u00e3o com sua capacidade m\u00e1xima, chegando a ter mil pessoas em cada instala\u00e7\u00e3o. E, mesmo se houvesse disponibilidade de novas vagas, n\u00e3o poderiam abrigar novas pessoas por causa das medidas de isolamento social.<\/p>\n<p>Existe uma aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0queles que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua e outros que se encontram em ocupa\u00e7\u00f5es pelo estado. A falta de renda daqueles que podiam pagar aluguel aumenta o n\u00famero de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 abril, eram 18 as ocupa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas de migrantes, em pr\u00e9dios p\u00fablicos e privados, que preocupavam as autoridades e sociedade civil pela precariedade sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-17814 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.csem.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/acnur_2704-540x360.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"360\" title=\"\"><\/p>\n<h6 style=\"text-align: center;\">Funcion\u00e1ria da ACNUR mostra <a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/cartilha-multilingue-auxilia-na-promocao-da-saude-de-indigenas-venezuelanos-refugiados-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">cartilha multil\u00edngue<\/a> sobre cuidados de sa\u00fade \u00e0 meninas migrantes. Foto: Felipe Irnaldo\/ACNUR<\/h6>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es como a<a href=\"https:\/\/diocesederoraima.org.br\/index.php\/category\/caritas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> C\u00e1ritas Diocesana de Roraima<\/a>, <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CIMI (Conselho Indigenista Mission\u00e1rio)<\/a>,<a href=\"https:\/\/sjmrbrasil.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> SJMR (Servi\u00e7o Jesu\u00edta para Migrantes e Refugiados)<\/a>, e algumas ag\u00eancias da ONU t\u00eam apoiado as ocupa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas com alimenta\u00e7\u00e3o, insumos de higiene e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o. O governo chegou a desocupar alguns lugares de forma truculenta mesmo em meio \u00e0 pandemia, o que levou o <a href=\"https:\/\/www.conjur.com.br\/2020-mai-02\/guarda-civil-retira-venezuelanos-ocupacao-boa-vista?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=facebook\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ajuizamento, na quinta-feira (30\/4), de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra o estado de Roraima, munic\u00edpio de Boa Vista e Uni\u00e3o pela desocupa\u00e7\u00e3o de um acampamento de venezuelanos sem ordem judicial.<\/a><\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Valdiza Carvalho, Mission\u00e1ria Scalabriniana e coordenadora da Pastoral do Migrante de Roraima, conta que os abrigos em quarentena possuem atendimento m\u00e9dico aos migrantes, com \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o e cuidados a quem apresente sintomas do Covid-19. Segundo ela, o plano emergencial da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida tamb\u00e9m incide na popula\u00e7\u00e3o presente nas ruas e nas ocupa\u00e7\u00f5es, mas os migrantes que vivem em casas alugadas n\u00e3o est\u00e3o contemplados por este plano. Segundo a Irm\u00e3, essas fam\u00edlias de venezuelanos vivem em casas alugadas com pre\u00e7os abusivos, em im\u00f3veis pequenos, com muitas pessoas em pouco espa\u00e7o:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cS\u00e3o quitinetes, casas pequenas, com 10, 15, at\u00e9 20 pessoas em uma casa, revezam quem dorme e quem n\u00e3o dorme na casa, se existe um caso suspeito ali, como os outros v\u00e3o fazer? Ficar todos isolados? Esse \u00e9 um questionamento que estamos fazendo. Por que quem est\u00e1 no aluguel n\u00e3o poderia ter acesso a essa \u00e1rea de aten\u00e7\u00e3o e cuidados do Hospital de campanha?\u201d &#8211; Ir. Valdiza<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O Plano Emergencial do Covid-19 levou o hospital de campanha que havia em Pacaraima \u2013 cidade fronteiri\u00e7a \u00e0 Venezuela, para Boa Vista. Dessa maneira, quem for infectado no estado dever\u00e1 ser atendido na instala\u00e7\u00e3o da capital, inclusive os(as) migrantes.<\/p>\n<h3>Militares da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida infectados<\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/folhabv.com.br\/noticia\/CIDADES\/Capital\/Operacao-Acolhida-tem-86-militares-com-Covid-19\/64992\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mais de 80 militares que trabalharam na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida foram diagnosticados com a Covid-19 em abril,<\/a> e a partir desses casos come\u00e7aram as primeiras infec\u00e7\u00f5es a migrantes dos abrigos. A Opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o divulga n\u00fameros de infectados residentes, mas h\u00e1 a confirma\u00e7\u00e3o de pessoas diagnosticadas com a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O Hospital de campanha do governo est\u00e1 dando aten\u00e7\u00e3o aos migrantes suspeitos de terem contra\u00eddo o v\u00edrus, em coopera\u00e7\u00e3o com ag\u00eancias da ONU. Ao se suspeitar de pessoas infectadas nos abrigos, estas s\u00e3o encaminhados a uma ala espec\u00edfica do hospital. At\u00e9 o fechamento desta publica\u00e7\u00e3o, os leitos pr\u00e9-intensivos e intensivos ainda n\u00e3o haviam come\u00e7ado a funcionar. O Hospital Geral de Roraima (HGR), refer\u00eancia no estado, contava com 29 pessoas internadas com a doen\u00e7a.<\/p>\n<h3>Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/h3>\n<p>Com o agravamento da pandemia, a Pastoral do Migrante e outras entidades da sociedade civil sugerem que as autoridades iniciem um processo de viabiliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, relacionadas ao trabalho e moradia, para fam\u00edlias de migrantes afetadas. \u201cEles querem trabalhar, montar seus empreendimentos, viver como cidad\u00e3os roraimenses\u201d, afirma Ir. Valdiza.<\/p>\n<p>A Irm\u00e3 Scalabriniana diz que \u00e9 vis\u00edvel a preocupa\u00e7\u00e3o dos venezuelanos com seu pa\u00eds: <em>\u201cJ\u00e1 havia a preocupa\u00e7\u00e3o antes, agora com a pandemia \u00e9 tr\u00eas vezes pior, sabemos que a quest\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 um fator que complica (&#8230;) se abrir a fronteira eles vir\u00e3o, pois querem salvar suas pr\u00f3prias vidas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Enquanto ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre a reabertura das fronteiras, ela ressalta a necessidade de um plano para organizar a travessia e atender futuras demandas de migrantes que podem vir a buscar atendimento m\u00e9dico no lado brasileiro. A pandemia poder\u00e1 aumentar o n\u00famero de pessoas da Venezuela em busca de servi\u00e7os no Brasil.<\/p>\n<h3>Aux\u00edlio emergencial do Governo<\/h3>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, com o apoio da OIM, est\u00e3o fazendo a\u00e7\u00f5es para auxiliar os migrantes que n\u00e3o possuem celulares ou acesso \u00e0 internet para efetuar o cadastro do aux\u00edlio emergencial. Nos pr\u00f3ximos dias 7 e 8 de maio (quinta e sexta-feira) a Pastoral do Migrante de Boa Vista, com apoio da OIM, far\u00e1 um mutir\u00e3o para as pessoas migrantes que vivem nas casas alugadas e ainda n\u00e3o conseguiram fazer o cadastro.<\/p>\n<p>O mutir\u00e3o da Pastoral se dar\u00e1 no endere\u00e7o Av. Nossa Senhora Consolata, 1529, Centro de Boa Vista, entre \u00e0s 9h e 16h.<\/p>\n<p>Contato: +55 95 91240227<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Igor B. Cunha e Luana G. Gon\u00e7alves\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Communication Team - CSEM\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Com colabora\u00e7\u00e3o da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de Boa Vista\u00a0\u00a0<\/em><\/p>","protected":false},"featured_media":17814,"parent":0,"template":"","categories":[45],"class_list":["post-17812","csem_em_foco","type-csem_em_foco","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-45"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco\/17812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/csem_em_foco"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/csem_em_foco"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.csem.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}