Por Ir. Melanie Grace D. Illana, mscs

Louvor e agradecimento a Deus pela oportunidade de ter participado do evento da Jornada Mundial da Juventude de 2013 no Rio de Janeiro. Também foi uma benção o apoio e orações das Irmãs de minha comunidade Bom Samaritano e da equipe do CSEM, durante toda a preparação do evento. Eu fiquei no Rio de Janeiro de 25 a 28 de julho de 2013 com o grupo dos jovens de Sobradinho, Brasília.

Minha primeira experiência de participação em jornadas mundias da juventude foi na Alemanha em 2005 com o grupo das Irmãs Scalabrinianas e alguns grupos de jovens argentinos e uruguaios. A jornada mundial no Rio de Janeiro foi minha segunda experiência, desta vez com o grupo da juventude brasileira e com Pe. Marco Alves, Scalabriniano. Em ambos os eventos, havia apenas uma única razão que percebei presente nos peregrinos que participaram na JMJ – uma jornada incansável em busca de Deus para suas vidas e a alegria de encontrar e acolher Deus nos peregrinos de todos os cantos do mundo. Foi um desafio para os missionários religiosos e leigos, acompanhá-los na fé, no amor e na esperança.

Comparações e contrastes: minha experiência de particiapação do evento JMJ na Alemanha e no Rio de Janeiro

A Jornada Mundial da juventude na Alemanha foi mais emocionante, pois tudo era novo para mim. Mesmo sendo filipina não pude participar da JMJ de 1995 que aconteceu em minha pátria natal. Comecei a me envolver no programa de formação com a juventude filipina no Centro Filipino em Roma, mas viajei para a Alemanha com minhas coirmãs, com a juventude argentina e uruguaia e com os dois sacerdotes diocesanos da Argentina. Infelizmente, na Alemanha eu não tive a chance de ver o Papa Bento XVI pessoalmente. No Rio, eu fui abençoada e pude ver o Papa Francisco por duas vezes.

Em Brasília, comecei a participar na formação e no programa social com a juventude brasileira e peruana em Sobradinho, juntamente com o sacerdote Scalabriniano, Pe. Marco Alves. Acompanhei-os em uma excursão de grupo, partecipei nos serviços de animação da oração e em encontro social com algumas famílias de paroquianos. Nossa missão continuou no Rio de Janeiro com este grupo de brasileiros, junto as quais viajei de aviaõ e com eles me hospeder no hotel.

Em 2005, viajei de ônibus de Roma para a Alemanha com o grupo e formos recebidos pela nossa coirmã que nos levou a uma das paróquias na cidade de Solingen, juntamente com a juventude descendente de italianos e alemães. Nós fomos acomodados na paróquia e no último dia, dormimos em uma das escolas na mesma cidade. Minha viagem para o Rio foi de avião com alguns do nosso grupo, por isto foi mais rápida e mais leve, e fomos diretamente para o hotel na Barra da Tijuca. No Rio de Janeiro, fui mais ativa, pois tivemos sucessivas e longas caminhadas. Tudo exigiu rápidos movimentos nas estradas, em busca de alimento para almoço e lanches, e em acordar muito cedo de manhã e voltar para o hotel tarde da noite. Foi a primeira vez que não jantei por três noites consecutivas porque não tinha mais energia para ir ao restaurante. Foi diferente na Alemanha, pois a alimentação fazia parte do Kit de participação do evento. Só gastamos nosso dinheiro para comprar as coisas pessoais e lembranças.

 

Uma viagem com os peregrinos no Rio de Janeiro

Apesar de longas viagens, trânsito caótico, problemas dos dias de chuva e frio, no Rio de Janeiro, fiquei impressionada ao ver o espírito animado dos participantes da JMJ dos cinco continentes. Em nosso primeiro dia, o nosso grupo foi para a praia de Copacabana. Soprava vento forte e caia uma chuva ligeira, mas andamos com desejo e emoção para ver o Papa e ouvir o seu discurso de boas vindas para todos os peregrinos. Foi uma experiência inexplicável ver o Papa pessoalmente, acenando para todos com seu rosto sereno e sorridente. O Papa saudou os peregrinos com grande afeto, esperança e amor. Ele estava feliz em ver a manifestação de fé dos peregrinos, mais forte do que o mau tempo. Em sua homilia, Papa Francisco encorajou os peregrinos dizendo: “Bote fé” e “Bote fé em Cristo” em suas vidas e não tenham medo de pedir perdão a Deus, de receber a Eucaristia e de encontrar Cristo no irmão peregrino. Todos os peregrinos estavam imbuidos da presença do Papa e pelas mensagens de amor e fé que ele lhes dirigia que havia um clima de paz e comunhão em toda a assembleia juvenil.

Eu não tive tempo de participar da catequese com o meu grupo de língua portuguesa por causa do meu compromiso no centro de perigrinos que falavam inglês em “Vivo Rio”, onde me econtrei com a irmã Joanna Orekere, coordenadora do programa de Diversidade Cultural da igreja em USCCB (United States Conference of Catholic Bishops). No centro dos perigrinos tive oportunidade de escutar o discruso do Cardeal Sean O’Malley e suas respostas às perguntas desafiadoras dos jovens. A Irmã Joanna me apresentou aos radialistas do “Catholic Channel” (uma estação da rádio de estilo de vida católica romana na Sirius XM Satellite Radio operada pela Arquidiocese de Nova York), e tive o privilégio de conhecer a equipe e aceitar o convite de dar uma entrevista sobre minha experiência na jornada mundial da juventude no Rio de Janeiro e sobre minha vocação como uma missionária Scalabriniana, falei também do carisma da Congregação das irmãs MSCS. Foi uma oportunidade maravilhosa para mim, pois pude ser ouvida pela rádio nos Estados Unidos pela primeira vez. Foi também uma maneira de apresentar a missão das Irmãs Scalabrinianas a serviço dos migrantes.

Após minha visita ao centro de fala inglesa, fui para Copacabana a fim de participar na Via-Sacra. Partecepei desta longa caminhada juntamente com os peregrinos. Infelizmente, não encontrei meu grupo de Sobradinho, pois havia um número imenso de jovens. Eu não fequei lá até o final da Via-Sacra por causa do mau tempo e porque estava muito cansada. Andei com um grupo de peregrinos durante muito tempo até encontrar o ônibus que nos levou ao hotel.

O terceiro dia foi a vigília com o Papa em frente à praia de Copacabana. Eu fui abençoada, novamente por poder ver o Papa pela segunda vez, mesmo que com certa distância. Papa Francisco deu sua mensagem inspiradora antes da adoração eucarística e da vigília. Ele convidou os peregrinos a tornar-se construtores e protagonistas na Igreja; cada coração de peregrino deve ser um bom solo e deve estar aberto para acolher Jesus e depois transmití-lo aos outros. Durante a adoração, a maioria dos peregrinos orava e chorava. Foi um evento muito emocionante! Unidos ao Papa adorando a presença real de Cristo! Éramos como os apóstolos que testemunharam a transfiguração do Senhor e podíamos dizer como São Pedro: “Senhor, é bom estar aqui…vamos construir três tendas…”. Sim, foi muito bom passar lá a noite com os peregrinos. Nosso grupo decidiu voltar para o hotel, por razões de segurança.

No nosso último dia, precisamos acordar muito cedo para voltar á praia de Copacabana e encontrar um bom lugar para ficar e poder participar da cerimônia de encerramento, especialmente da Santa Missa com o Papa. Foi um grande momento para celebrar a conclusão da JMJ dançando e cantando em meio aos 3 milhões de peregrinos. Foi imensa e indescritível graça a Deus! O Papa Francisco continuou a proclamar a palavra de Jesus, conforme o tema que o Papa emérito, Bento XVI, tinha escolhido: “Ide e fazei discípulos de todas as Nações”. O Papa Francisco exortou os jovens peregrinos a “ir para fora. Ir para frente. Continuem indo”. Ele convidou a todos para ir adiante, para não ter medo de levar Cristo aos outros!

 Minha presença:

“Evangelizar significa dar testemunho pessoal do amor de Deus; A evangelização supera nosso egoísmo; O evangelizador prosta-se para lavar os pés dos nossos irmãos, como fez Jesus.”

Embora eu não tenha pregado ao meu grupo, nem organizado as orações, a minha presença e minhas orações para eles e com eles foram suficientes para evangelizá-los, para dar testemunho do amor de Deus. Não todos os do meu grupo tornaram-se meus amigos, mas todos perceberam minha presença e orações em cada movimento que fizemos durante a peregrinação.

A JMJ 2013 foi, de fato, uma parte de um processo de evangelização para cada missionário que representa a Igreja jovem, não só por palavras, mas também pelo testemunho pessoal do amor de Deus e por meio do serviço humilde aos irmãos de caminhada.