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Semana do Migrante: Confira entrevista com Marlene Wildner, Irmã Missionária Scalabriniana e Diretora do CSEM 

Nesta semana, é celebrada a Semana do Migrante e a Congregação das Irmãs Missionárias Scalabrinianas (MSCS), que desde sua fundação em 1895, tem sido protagonista no acolhimento de migrantes e refugiados em todo o mundo, onde participa ativamente. Para entender melhor a importância da Missão iniciada por São João Batista Scalabrini, confira a entrevista com Ir. Marlene Wildner, diretora do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM) e Irmã MSCS, que há décadas se dedica ao trabalho missionário em prol dos migrantes e refugiados.

Irmã Marlene, qual é, na sua opinião, o papel da Congregação na promoção da dignidade e proteção dos migrantes e refugiados?

Ao longo destes quase 40 anos como Irmã MSCS, tive a oportunidade de caminhar ao lado de migrantes e refugiados em vários países e continentes, com o objetivo de restaurar a dignidade e oferecer proteção a milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. A missão da Congregação das Irmãs Missionárias Scalabrinianas, à qual pertenço, está alinhada com o chamado do Papa Francisco para que toda a migração seja resultado de escolha livre, com respeito à dignidade de cada migrante. Isso implica em acompanhar e gerenciar os fluxos migratórios de forma responsável, construindo pontes em vez de muros e ampliando os canais para uma migração segura e regular.

Como Missionária no exterior, você está entre as pioneiras da presença MSCS na África, certo?

Sim. Em 1998, juntamente com a Ir. Marivane Chiesa, aceitei o convite da Congregação para iniciar um projeto na Arquidiocese de Joanesburgo, na África do Sul, voltado especificamente para refugiados. Ao longo dos anos, esse projeto se consolidou e hoje continua como o Departamento de Pastoral para Migrantes e Refugiados na Arquidiocese. Também fundamos o Centro de Acolhida Bienvenu, que atende mulheres e crianças refugiadas e desenvolve uma série de projetos abrangendo diversos aspectos de suas vidas. Além disso, como congregação, criamos o Centro de Treinamento Profissional Madre Assunta, que empodera e fortalece o protagonismo das mulheres assistidas pela instituição. Todas essas obras colaboram em rede, ampliando nosso alcance para ajudar migrantes e refugiados.

Qual foi o maior desafio que enfrentou durante sua jornada missionária junto a migrantes e refugiados?

O maior desafio foi a minha chegada a Angola em 2000, no final da guerra civil. Naquela época, testemunhei o delicado processo de repatriação de milhares de angolanos que retornaram dos países vizinhos e a reintegração de mais de 3,2 milhões de deslocados internos. Em 2010, também acompanhei a chegada de 67 mil refugiados que foram repatriados compulsoriamente do Congo para Angola. Nesses momentos, a Igreja foi a primeira a prestar ajuda e suporte.

Como a Igreja deve se posicionar diante do grande número de migrantes e refugiados que buscam novos lugares para recomeçar?

A Igreja tem o dever de responder ao apelo dos migrantes e refugiados, acolhendo-os com caridade, solidariedade e hospitalidade. O Papa Francisco nos ensina que, independentemente de onde decidamos construir nosso futuro, seja em nosso país de origem ou em outro lugar, é fundamental que haja comunidades dispostas a acolher, proteger, promover e integrar a todos, sem exceção.

E a sociedade, as comunidades locais…?

Os migrantes e refugiados chegam de lugares que muitas vezes foram explorados e abandonados. Portanto, somos desafiados/as a ampliar nosso horizonte, enxergando além de nossos problemas pessoais. Como nos lembra o Papa Francisco, devemos compreender que o desenvolvimento dos países economicamente mais pobres depende da solidariedade global e da partilha de recursos. Até que esse direito seja garantido, ainda haverá muitos que buscarão uma vida melhor em outras terras.

Qual foi o maior aprendizado que adquiriu ao longo de todos esses anos na Missão?

Minhas experiências ao lado de milhares de migrantes e refugiados ao longo destes anos são inesquecíveis. Eles me ensinaram que, mesmo diante da dor, do sofrimento e da morte, as pessoas têm a capacidade de se erguerem como protagonistas de suas próprias histórias. A solidariedade é o alicerce que nos permite caminhar juntos nessa jornada em busca de um mundo mais inclusivo e acolhedor.

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