Na África do Sul, país africano com o maior número de infectados pelo novo Coronavírus, a Pastoral do Migrante e Refugiado e a casa de acolhida das Irmãs Scalabrinianas já conseguiram ajudar mais de 1.700 pessoas afetadas pela crise 

Com o fim do regime do Apartheid na África do Sul na década de 90, o fluxo de migrantes que chegava ao país deixou de ser de maioria branca, proveniente de países europeus, como ingleses, portugueses e italianos e se iniciou um fluxo de pessoas de nacionalidades africanas, que passaram a compor um número mais expressivo entre quem chegava.

Apesar do alto número de migrantes, a Irmã Scalabriniana Marizete Garbin, atuante no Departamento de Pastoral para Migrantes Refugiados da Arquidiocese de Joanesburgo, afirma que os migrantes e refugiados no país não têm direito ao auxílio emergencial do governo sul africano. Entretanto, o governo aumentou as remessas financeiras para organizações não governamentais e religiosas que atuam com o trabalho social destinado a essa população.

Ir. Marizete Garbin e padre Jean-Marie distribuem alimentos às famílias não contempladas pelo auxílio governamental. Foto: Departamento para migrantes e refugiados da Arquidiocese de Joanesburgo

As dificuldades financeiras dessas famílias de migrantes se agravam diante das medidas do isolamento social radical (lockdown), que impossibilitam o comércio informal (única fonte de trabalho de muitas famílias) e desencadeiam uma alta no índice de desemprego no país, que apresenta o maior número de infectados pelo novo Coronavírus no continente africano.

Articulação Scalabriniana

As Irmãs Scalabrinianas que trabalham auxiliando e acolhendo migrantes e refugiados(as) no país desde o final dos anos 90. Além de atuarem no Departamento de Pastoral para Migrantes e Refugiados da Arquidiocese, possuem uma casa de acolhida que abriga mulheres migrantes e refugiadas acompanhadas de seus filhos. O Bienvenu Shelter nasceu diante da necessidade, à época, de um local para o crescente número de mulheres que chegavam a Joanesburgo fugindo das guerras e pobreza em seus países de origem.

Atualmente, o Departamento para Migrantes e Refugiados da Arquidiocese e o Bienvenu Shelter, com o apoio da OIM, têm articulado esforços, por meio de vídeo chamadas, com a comunidade de ONGs locais. O objetivo é aumentar a capacidade de atendimento às famílias afetadas pela crise. O protocolo prioriza os mais necessitados e os indocumentados, distribuindo alimentos básicos à sobrevivência. Somente na cidade de Joanesburgo, estima-se que há quase 1 milhão de pessoas necessitando de alimentos.

Alimentos a serem distribuídos no distrito de Riverlea, região oeste de Joanesburgo. Foto: Departamento para migrantes e refugiados da Arquidiocese de Joanesburgo

Segundo a Irmã Marizete Garbin, a entrega de alimentos é feita mediante agendamento telefônico e cadastro prévio. Um dos desafios é circular com caminhões cheios de alimentos na cidade que possui muitas pessoas famintas, havendo o risco de sofrerem saqueamentos. Entre os doadores que já contribuíram para a distribuição de alimentos pelo Departamento de pastoral, estão a comunidade ugandesa da Arquidiocese de Joanesburgo e a escola Mayfair Convent.

Saiba como ajudar

À medida que as restrições continuam, o Bienvenu Shelter e a Pastoral do Migrante e Refugiado de Johanesburgo apelam para um maior número de doações. Para entrar em contato, clique nos links abaixo:

Bienvenu Shelter

Pastoral do Migrante e Refugiado da Arquidiocese de Johanesburgo

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Luana G. Silveira e Igor B. Cunha

Equipe de Comunicação CSEM