Por Jeremy Dela Cruz

Com o apoio e a bênção do Papa Francisco, uma associação intercongregacional de religiosas começou na semana passada um movimento de combate ao tráfico de humanos que se designou com o nome, Talitha Kum, uma frase aramaica que quer dizer “Menina, eu te digo, levanta-te” (Mc 5,41). Talitha Kum é uma organização da Rede Internacional da Vida Consagrada contra o Tráfico de Pessoas e tem como objetivo aumentar a consciência pública sobre os perigos de exploração na próxima Copa do Mundo. As freiras promovem a dignidade humana através da campanha “Jogue a Favor da Vida: Denuncie o Tráfico de Pessoas,” que adverte sobre os riscos e realidades das atividades ilícitas nos megaeventos.

Durante uma conferência no Vaticano, Ir. Carmen Sammut, uma organizadora da campanha, falou sobre o sofrimento das vítimas de tráfico de pessoas. “Sem essa consciência, sem agir em conjunto em favor da dignidade humana, a Copa do Mundo pode tornar-se uma vergonha terrível em vez duma festa para a humanidade”.

No mesmo dia, a sede da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal organizou o Workshop de Consulta Pública com a Sociedade Civil, acolhendo grupos governamentais e não governamentais em uma discussão sobre a Política e o Plano Distrital de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O objetivo primário foi analisar e rever o decreto proposto pela Secretaria de Justiça do DF e a Gerência de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas com uma comissão de coordenadores.

A Organização Internacional do Trabalho-OIM relata que 4,5 milhões pessoas são vítimas de exploração sexual e que 76% delas são do sexo feminino e 26% são crianças e adolescentes. Em nível mundial, a Organização das Nações Unidas afirma que os traficantes de seres humanos recebem anualmente 32 bilhões de dólares.

Dr. Jefferson Ribeiro, o Secretário de Justiça do DF, expressou o desejo que o governo tem de trabalhar e conversar com pessoas envolvidas no contexto local da exploração humana. “Comemoramos 126 anos da Lei Áurea e o tráfico humano ainda não acabou,” disse Ribeiro. “O trabalho escravo continua sendo praticado em nosso país”.

A Secretaria continua a trabalhar com organizações locais para aprender mais sobre a realidade da escravidão contemporânea. A Arquidiocese de Brasília encabeça os esforços de base nas comunidades da cidade com a sua Campanha da Fraternidade 2014, abordando a questão da “Liberdade e Tráfico de Pessoas.” As congregações religiosas em Brasília como as Irmãs Missionárias Scalabrinianas servem as vítimas de exploração e tem tanto um investimento espiritual e cívico em projetos da promoção dos direitos humanos. Coração Azul, uma nova iniciativa de ONU, encoraja a participação dos brasileiros contra o tráfico de pessoas pelo uso da imagem da campanha: um coração azul “que representa a tristeza das vítimas do tráfico de pessoas e nos lembra da insensibilidade daqueles que compram e vendem outros seres humanos” de acordo com o seu website.

Em relação ao decreto proposto, o Workshop queria fortalecer instituições e ações existentes e integrar a promoção da igualdade racial, as atividades culturais, e programas de esportes para estender o movimento do enfrentamento do tráfico humano. A comunicação social foi também um grande foco do encontro a fim de ampliar pela rádio, televisão, e internet, a conscientização da cidade acerca da exploração. O documento final feito em colaboração entre as várias coordenações governamentais será implementado no segundo semestre de 2014.

Jeremy Dela Cruz é estagiário no CSEM. Atualmente faz o curso de francês e filosofia na Universidade de Notre Dame, Indiana, EUA.