19 de julho de 2018

A ‘globalização da indiferença’ e a criminalização das migrações” – Resenha nº 92 – 3º trimestre de 2013 – Roberto Marinucci

Nos dias de hoje é bastante comum ouvir dizer que o planeta terra tornou-se uma pequena “aldeia global”: as comunicações entre pessoas são cada vez mais intensas, rápidas e baratas, enquanto os meios de transportes permitem ao ser humano se libertar de numerosas limitações espaço-temporais. Além disso, a humanidade está cada vez mais consciente dos direitos inalienáveis de cada pessoa. Crimes hediondos como escravidão, preconceitos raciais, campos de concentração, guerras são apenas longínquas lembranças de épocas passadas.

No entanto, lendo as manchetes de revistas e jornais, temos a impressão de que a realidade seja um pouco diferente. Os avanços tecnológicos não envolvem, necessariamente, um maior grau de civilização – como assevera Tzvetan Todorov – ou respeito pela dignidade e pelos direitos dos seres humanos, sobretudo quando estes são migrantes, refugiados, solicitantes de asilo, deslocados ambientais, enfim, pessoas que saem ou fogem da terra natal e pedem um pequeno “espaço geográfico e social” onde recomeçar suas vidas. Estes deslocados da aldeia global, muitas vezes, são tratados como “criminosos” apenas por serem diferentes ou então por terem praticado uma infração administrativa: residir no território sem a documentação imigratória (regular).

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