A- A A+

CSEM realiza pesquisa em Tijuana

A fronteira do México com os Estados Unidos é o maior corredor migratório de um país a outro, sendo a fronteira mais transitada no mundo1. Apenas na guarita de San Ysidro (que oferece acesso entre as cidades de Tijuana e San Diego), mais de 100 mil pessoas transitam todos os dias. Entre os que moram de um lado e trabalham em outro, cruzam também diversas histórias de sonhos e frustrações. 

 MG 0483

Muro na fronteira entre Tijuana e San Diego. Foto: Igor Cunha/Arquivo CSEM

Alguns latino-americanos e pessoas provenientes de outros locais conhecem muito bem as guaritas de passagem, porém apenas do lado mexicano. Todos os dias filas se formam próximo à Praça Viva Tijuana, são homens, mulheres e crianças, que, juntos ou separados, solicitam asilo na fronteira. A maioria, por não possuir provas ou evidências suficientes acaba por não conseguir ir para o outro lado de forma legal, outros nem conseguem ser atendidos – há um limite de análises das solicitações por dia. 

Tijuana é a “cidade onde a pátria começa”, segundo as campanhas publicitárias do Governo mexicano, mas escolhida para ser o fim da jornada migratória de milhares de pessoas todos os anos. Além dos solicitantes de asilo, muitos migrantes de todo o globo se concentram na cidade em busca do sonho de entrar aos Estados Unidos. 

Além dos sonhos, Tijuana recebe outra parcela da população migrante, a parte que vê a cidade como um duro recomeço imposto. El Chaparral é o nome da guarita que recebe o maior número de deportados provenientes dos Estados Unidos, atualmente chega a receber por volta de 100 a 150 todos os dias. Ao contrário do que se esperava com o início da administração Trump, o número de deportados não aumentou, mas o temor de que isto ocorra é latente. A deportação continua sem freios, levando centenas de pessoas às ruas próximas à guarita sem ter casa, nem trabalho. Alguns não puderam voltar ao seu país natal em décadas, e dessa forma reencontram a realidade do lado sul da fronteira em meio a sentimentos diversos entre a dor de perder sua vida conquistada nos EUA e a desesperança com o futuro. 

 

Pesquisa do CSEM

Tijuana, por sua configuração de cidade de chegada e de trânsito de migrantes, possui diversos albergues que acolhem esta população quando não tem para onde ir. 

A pesquisa do CSEM intitulada Reconstruindo a vida na fronteira: assistência e atendimento a migrantes na fronteira Norte do México, coordenada por Tuíla Botega e Delia Dutra, tem como foco o trabalho de atenção à população em situação de mobilidade na região, bem como dar visibilidade às boas práticas desse trabalho que muda vidas e encoraja todas as pessoas migrantes que passam por momentos de dificuldade a conseguir um futuro melhor.

Os pesquisadores Nathalia Vince e Igor Cunha estiveram do dia 24 de janeiro ao dia 26 de fevereiro deste ano na cidade visitando estes albergues, especialmente o Instituto Madre Assunta, das Irmãs Scalabrinianas, uma referência na atenção à mulheres e crianças migrantes.

 MG 2346

Ir. Catarina Gengu acolhendo migrantes para o almoço no Instituto Madre Assunta. Foto: Igor Cunha/Arquivo CSEM

Há décadas acolhendo migrantes, deportadas e solicitantes de refúgio, a casa é lugar de recuperação, na qual são oferecidos atendimentos psicológicos, jurídicos e espirituais, além da atenção básica de alimentação e estadia. Vestimentas e brinquedos para as crianças também são doados no local. As irmãs missionárias que ali estão dedicam a maior parte do seu tempo na atenção direta às migrantes. 

Para a Ir. Adélia Contini, diretora do Instituto Madre Assunta desde 2009 e há 50 anos na congregação, esta atenção integral significa receber as migrantes e tratá-las de forma humana, apoiando em todas suas necessidades.

 MG 2239

Ir. Adélia Contini. Foto: Igor Cunha/Arquivo CSEM

A atmosfera acolhedora e o ambiente sempre organizado e bem cuidado faz com que o Madre Assunta seja chamado sempre de “casa”. As mulheres e crianças que passam por lá demonstram muita força, decorrente de suas experiências. A acolhida das irmãs serve como impulso na busca pela superação: em alguns casos as migrantes estão apenas esperando a oportunidade de cruzarem aos EUA, ou de retornarem a seus lugares de origem, em outros têm planos de se instalarem na cidade e a casa as apoia independente de suas escolhas migratórias. 

Os resultados da pesquisa serão apresentados em uma Conferência Internacional, organizada pelo CSEM e Weltkirche da Diocese de Rottenburg/Stuttgart/Alemanha, em dezembro deste ano em Johanesburgo - África do Sul.

___

1 BOTEGA, Tuíla; MARINUCCI, Roberto. In: A mobilidade humana nos países com presença de Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu – Scalabrinianas / CENTRO SCALABRINIANO DE ESTUDOS MIGRATÓRIOS. Brasília: CSEM, 2017.

 

 

 

 

 

 

 

NOTÍCIAS

Migranti, in Italia grazie ai corridoi umanitari: "abbiamo bisogno di serenità"

COMPARTILHE

Famiglie siriane accolte a Palermo, fuggono dalla guerra e provengono dai campi profughi in Libano. Due saranno ospitate nel centro diaconale valdese La Noce e un'altra dalla comunità di Sant'Egidio. Adel: non mi sembra vero di essere con voi dopo tutto quello che abbiamo passato"

Leia mais...

EU tracking 65,000 migrant smugglers: Europol

COMPARTILHE

European law enforcement officials say they are tracking at least 65,000 migrant smugglers, twice as many as at the height of the migration crisis three years ago, as the illegal trade booms.

Leia mais...
REDES SOCIAIS

Conheça nossos canais dentro das redes sociais, participe, interaja, queremos ouvir você.

facebook  twitter

Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios - CSEM
SRTV/N Edificio Brasília Radio Center
Conj. P - Qd. 702 - Sobrelojas 01/02
CEP: 70719-900 - Brasília - DF / Brasil
Tel/Fax: +55 (61) 3327 0669
O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

twitter   facebook