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“O migrante não é um problema, mas sujeito dos processos históricos"

Por Assessoria de Imprensa
A expressão é da missionária scalabriniana e diretora do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios (CSEM), Irmã Marlene Elisabete Wildner que assessora o encontro regional das Scalabrinianas, em Jundiaí, SP.

Na ocasião, Irmã Marlene discursou sobre o tema das migrações internacionais e seus desafios recentes e chamou a atenção dos participantes sobre os estigmas impostos aos imigrantes pela sociedade e os cuidados que, como missionárias, se faz necessário ter para que estes não sejam reforçados. “Precisamos compreender e entender que o imigrante não é um miserável, vulnerável, mas protagonista dos processos histórico-sociais”. Isso porque, garante a religiosa, ao deixar o lugar de origem o imigrante leva consigo uma bagagem de conhecimentos que são partilhados e enriquecem e produz desenvolvimento ao lugar de destino.
“Ele não é vítima, mas sujeito, não problema, mas parte da população, não ameaça ou risco, mas oportunidade”, reforça.
A assessora afirmou, também, que os imigrantes e refugiados não estão isentos de vulnerabilidades, as quais são desafios, também para a missão. A violência, abusos sexuais, tráfico humano, risco de morte na travessia, não conhecimento do idioma, o racismo por fenotipia que revela a não aceitação do estrangeiro pela sua aparência. Essas vulnerabilidades dificultam a inserção social do imigrante, o que pode desencadear em problemas psíquicos como a síndrome de Ulisses que tem como causas a depressão, o isolamento, decorrentes desse processo de migração. Ele torna vítima do sistema que põe à margem aqueles sujeitos que não correspondem ao modelo esperado.
Para dar continuidade à reflexão da questão, Wildner apresentou a fala da professora Rosana Baeninger. Segundo ela, o modelo de imigrante que a sociedade brasileira espera é aquele do período colonial, da migração europeia, sujeitos brancos, não índios, não negros. “Ao falar de migrações nacionais e internacionais, precisamos ter em mente que o estado foi fundado pela mão de obra branca europeia civilizada. Os que estão chegando nos dias atuais, são não brancos pobres e indígenas. Tendemos, portanto, a viver do mito europeu, o que nos dificultará na acolhida destes sujeitos”, garante.
Preparar a sociedade para a chegada desses imigrantes e pensar sobre quais caminhos trilhar para desfazer do mito, é fundamental, segundo Baeninger. “É preciso que a sociedade os veja não como outros, mas como iguais”.

Fonte: http://vistadeumpontorm.blogspot.com.br/

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